Séries Addict

Por uma vida social menos trágica…

Posted on: abril 11, 2008

Calleigh e Eric após tiroteio em Stand Your Ground

O que os produtores de CSI tem contra a mulher ter uma vida social? Eu explico de onde vem essa pergunta. Do episódio de CSI Miami que foi exibido ontem, Stand Your Ground, e de um pequeno retrospecto que eu fiz na minha cabeça depois de assisti-lo.
Em Stand Your Ground, nono episódio da temporada mais “novela da Globo” que nunca de CSI Miami (qualquer dia desses, Calleigh e Eric vão descobrir de repente que são irmãos! Tá, isso tá mais pra novela mexicana…), Calleigh acaba no meio de um tiroteio após reagir ao que parecia ser um assalto. Ela estava de folga, num brunch com Jake e bebeu duas mimosas. Com isso, depois do tiroteio, ela foi interrogada, questionada, recebeu olhares escusos dos colegas e todo o pacote completo que, concordando com a própria Calleigh, só serviu para humilhá-la.
E eu comecei a me perguntar por quê toda vez que mostram um pouquinho da vida social das CSIs, a desgraça vem a cavalo logo atrás? Em Weeping Willows, Catherine vai a um bar para relaxar depois do expediente e acaba a noite com um canalha que depois vem a ser suspeito de assassinato, uma portada na cara e posteriormente uma lição de moral de Grissom. Stella começa a namorar um cara que parece ótimo, e então em All Acess, este demonstra ser um verdadeiro psicopata, invade seu apartamento e a tortura. A própria Calleigh teve dois ex-namorados, um que apareceu noivo de outra do nada e posteriormente roubou dinheiro, e outro que colocou uma arma na cabeça de Calleigh para fugir de uma cena do crime de onde tinha roubado uma evidência e depois se matou dentro do laboratório dela. Voltando pra Catherine, ela também conheceu um cara que parecia maravilhoso, Chris Bezich, e então ela descobre que o canalha a traía. Ainda tem seu ex-marido, Eddie, o canalha-mor, que também a traía, tentou tirar Lindsey dela, entre outras várias coisas. Ainda seguindo com os canalhas, Sara teve um namoro sério com o bombeiro Hank, que aparentemente era apaixonado por ela, e então ele também aparece com uma outra namorada. Voltando pra Catherine, ela foi a um show com Nick depois do expediente e acabou sendo drogada e acordando nua em um motel de beira de estrada, descobrindo só bem depois que não havia sido estuprada, mas que seu raptor tirou fotos dela nua e mandou para seu pai, Sam Braun, como uma ameaça.
É claro, que no final disso tudo, elas saem sempre dignas, com a cabeça erguida, mostrando o quanto são fortes. Mas isso não muda o fato de que elas parecem estar sendo constantemente punidas por tentarem ter uma vida pessoal e sexual saudável. Escolher homens errados é uma coisa, mas em CSI parece que todos aqueles que não são CSIs provam-se parceiros menos que adequados, e isso acontece com os homens também. Mas são as mulheres que sofrem com escrutínio, a violência, a retaliação. São elas cujos erros de julgamento no que concerne suas vidas pessoais são recorrentes. E em uma série cujas duas principais produtoras executivas são mulheres (Carol Mendelsohn e Sarah Goldfinger) isso é confuso.
Todos os três CSIs possuem uma protagonista feminina, invariavelmente bonita, esperta e independente. Todas possuem um passado complicado e cheio de dor, que superaram com graça. São fortes e determinadas, não admitem desaforo de ninguém, mas gostam de todo mundo e são gostadas por todo mundo. Apesar de todas essas qualidades, elas são sempre ludibriadas por homens aparentemente perfeitos que acabam por fazer de suas vidas um inferno. E quando são mostradas fazendo algo remotamente casual, sempre acabam em problemas.
Se parasse por aí, seria perdoável, já que a franquia é focada em crimes. Mas o que complica é quando nesses episódios encontramos alguém inserido no papel de julgador e carrasco. Não importa que Calleigh tenha recebido sua redenção no final, quando descobre-se que os bandidos com quem ela trocou balas tinham mesmo a intenção de assassiná-la, pura e simplesmente. O que importa é que Stand Your Ground não foi o primeiro episódio de CSI em que as mulheres tiveram sua vida social associada a contextos ruins. Com isso eu me pergunto: será que isso é algum tipo de padrão que os escritores nem sabem que mantém? Uma muleta narrativa recorrente que ainda não perceberam ser perniciosa? Ou eu é que estou vendo coisas demais?

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2 Respostas to "Por uma vida social menos trágica…"

Oi Tata,

Não tinha pensado nisso ainda. E apesar de concordar contigo que as mulheres são vítimas mais comuns, além de serem as que mais enfrentam os olhares negativos do resto da equipe, a vida do lado de lá dos homens da equipe é uma m*&%$#. Parece que infelicidade faz a audiência…

eu acho que é : Uma muleta narrativa recorrente que ainda não perceberam ser perniciosa

mas eu já tinha notado isso na CSI (Las Vegas, a única q eu vejo) não sabia q as outras eram assim tb!!!heehhe
parece brincadeira viu!copiam até os pontos ruins hehehe

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