Séries Addict

Damages – 2×01 – I Lied, Too

Posted on: janeiro 9, 2009


Minha trajetória com Damages é provavelmente diferente da maioria das pessoas. Quando a série estreou nos Estados Unidos, eu assisti imediatamente (sem legenda), junto com Saving Grace, e enquanto odiei a série protagonizada por Holly Hunter (que eu considero uma atriz tão sensacional quanto Close, a propósito), eu amei o piloto de Damages imediatamente. Identificação que eu sei que não aconteceu com a maioria das pessoas, que precisaram de dois, três e em alguns casos todos os episódios para serem finalmente fisgados (ou não). Mas enquanto todo mundo aderia a onda de Damages, eu, por algum motivo que não me recordo, acabei deixando a série de lado completamente e só voltei a vê-la meses depois, em uma maratona que me fez sentir muita raiva de mim mesma. Afinal, Damages era mesmo tudo aquilo que eu achei que seria.
Damages é essencialmente uma série sóbria. Consegue-se captar um toque de humor negro e ironia aqui e ali, mas os personagens não se descontraem, não se divertem. É tudo muito sério. Patty Hewes e seu inimigos e aliados jogam é muito perigoso, porquê todos eles jogam para ganhar. E eu simplesmente adoro esse clima sombrio, austero e urgente da série.
Mas eu entendo perfeitamente que é uma fascinação que nem todo mundo divide comigo. E quem não está tão envolvido nesse universo de Damages quanto eu, provavelmente nem achou a estréia da segunda temporada tão boa assim. Especialmente considerando que depois de uma espera de um ano, as críticas, os prêmios, o boca a boca, as expectativas estavam altíssimas, até mesmo para quem não gosta ou nunca assistiu a série.
Eu, apesar de amar o thriller, não estava esperando nenhuma obra-prima para falar a verdade. É o primeiro episódio, e é nesse que Damages monta a estrutura, distribui algumas peças, nos dá uma pequena amostra do quê está por vir. É quase um prefácio.
E o mais importante aqui parecia ser nos mostrar as condições da psique de Ellen Parsons. Um mês depois do fim do caso Frobisher, Ellen continua bancando a queridinha de Patty enquanto espera que o FBI monte o plano deles para destruir Patty Hewes e comece a de fato usá-la. Ela se ressente de Patty profundamente, e se ressente de Frobisher de maneira que chega até mesmo a odiá-lo. Ela está presa, encurralada na própria mente e ela precisa acertar as contas com ambos Hewes e Frobisher, mas acho que aqui mais que nunca ela se dá conta de que não sabe realmente como vai conseguir paz. Não pode perdoar e não consegue se vingar, e tudo simplesmente a atormenta. Mas seis meses depois, algo vai estar completamente diferente, porquê no flashfoward a vemos bebendo e atirando em alguém. E eu duvido que seja Patty.
Enquanto isso a própria Patty continua extremamente atormentada pela morte de Ray Fiske, porém, sua ordem para assassinar Ellen não parece tê-la afetado em nada. E sem dúvida ela continua a mesma mulher manipuladora e sem escrúpulos de sempre, mas agora ela decidiu trabalhar com caridade, provavelmente, como ela mesmo coloca para Ellen quando essa tenta desdenhar sutilmente dela (mas não consegue) para limpar a própria consciência. O problema é que o próprio caso Frobisher já tinha essa característica de ser algo em prol de um bem maior. É claro que ela queria vencer mais que tudo e que deveria estar louca pela comissão em cima dos dois bilhões, mas ajudar as pessoas parece ser algo que sempre teve que estar entre os objetivos da advogada, de uma maneira ou outra.
Além disso, somos introduzidos a Daniel Purcell, interpretado pelo sempre ótimo (mas até aqui, um tanto apagado) William Hurt, que parece ser o novo caso de Patty, além de ter um relacionamento prévio com ela. Alguém mais cogitou se Daniel não poderia ser ninguém menos que o pai de Julia Hewes? Quer dizer, Patty nunca disse que o pai era o marido dela e eu acho que pode ser de outro homem, afinal, já fazem trinta anos que a garota morreu. E Wes Krulik, interpretado por Timothy Olyphant, um companheiro de terapia de grupo da Ellen, que de repente começa a segui-la. Será ele a Lila da vez?
Em relação as atuações, Close não decepciona, mas eu gostei mais do trabalho de Byrne. Acho que ela trabalhou com competência a mudança de Ellen de uma pessoa relativamente boba, para uma pessoa amarga que não confia mais em nada ou ninguém. Uma cena ótima é quando está na terapia, falando com a terapeuta, e a câmera a pega de lado, e podemos ver seu braço e mão contraídos, demonstrando sua fúria, em um ângulo que só Wes enxerga, enquanto ela fala serenamente com a terapeuta. Além dela, Ted Danson também volta em excelente performance como o doente, mas ainda arrogante, Frobisher. Só não digo que ele rouba a cena, porquê ele só contracenou com o figurante que faz o enfermeiro dele.
O quê gosto quando vejo Damages é que as outras coisas que eu vinha vendo e gostando, de repente parecem ordinárias (não todas, obviamente). E é provável, que a partir de agora, eu vá medir as coisas com olhos diferentes. O quê não significa que a série será a melhor ou mais extraordinária, ou até mesmo a mais cativante das séries da temporada (eu ainda tenho grandes esperanças em LOST, e acho sinceramente que o saldo final das temporadas atuais de Criminal Minds e Sarah Connor serão altamente positivos), mas já considero vital ter Damages na minha lista de séries.

A propósito, uma curiosidade: fui surpreendida no dia seguinte a estréia de Damages ao abrir meu twitter e descobrir que eu estava sendo seguida por ninguém menos que Patty Hewes e Ellen Parsons. As duas simplesmente postam algumas notinhas referentes ao episódio que já foi ao ar nos States, o quê não é bom para quem demora para ver, ou espera a AXN, mas quem acompanha direitinho e curte a série pode achar interessante adicioná-las e segui-las. Um post mais antigo de Patty diz: Did I ever tell you how I choose a case? Starts with a seed of anger. That seed has to be cultivated until it grows into a full-blown rage.” e as duas mais recentes de Ellen, são sobre coisas que nós mesmo poderíamos deduzir do episódio Seeing Frobisher in the hospital didn’t dim my resolve for revenge. But a gun isn’t the answer. Have to build a case against him. And Patty” e If @PattyHewes thinks I’ll be mollified by a story about how I’m like the daughter she never had, she’s way off her game. I’ll can use that.”

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2 Respostas to "Damages – 2×01 – I Lied, Too"

Como você viu no meu review, eu não achei grande coisa. Acho tudo tão formulado e aquelas twists do roteiro não me convencem.
Sobre o elenco, eu gostei da participação do Danson, mas foi tão curta que nem mencionei no meu texto. Não gosto da Byrne, acho ela extremamente inexpressiva.
Mas cada um tem sua opinião e entendo quem gosta da série.

Abs,

Ah, eu li sua review no Série Maníacos depois de ver o episódio, mas vou comentar aqui, hehehe. Na verdade eu gosto bastante da série (não tanto como você, claro), acho que tem seus defeitos, mas sempre entrega episódios acima da média. E concordo com muita coisa aqui – também não acho que seja a Patty naquela conversa (aposto no personagem do Olyphant que parece ser uma Lila mesmo). Abs!

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