Séries Addict

Fringe – 1×14 – Ability

Posted on: fevereiro 12, 2009

Com a exibição desse Ability e sua clara superioridade em relação aos episódios fechados da série, formando par com Safe como apogeu dessa primeira temporada de Fringe até agora, muitas discussões devem estar acontecendo sobre como episódios relacionados à mitologia da série são melhores que os episódios dedicados ao caso da semana. A minha opinião é quê não é que os casos da semana sejam ruins, mas quando o episódio se encerra, nós sabemos que está tudo acabado. Esse sentimento de conclusão pode ser algo que funciona amplamente em séries policiais, mas em uma série de mistério e ficção científica como Fringe, ele é capcioso.
Fringe é uma série que precisa alimentar e ao mesmo tempo atiçar nossa curiosidade o tempo todo. É o tipo de narrativa que como Lost, funciona melhor se eternamente balançar a cenoura na frente do burro (não sei se usei a metáfora correta, mas vocês entenderam, não?). Não é bom que o espectador se sinta completamente satisfeito.
E é por isso que Ability foi um episódio tão sensacional. Ele me deixou curiosa, insatisfeita, fisgada. E estou falando apenas dos efeitos pós-episódio. Pois durante os quarenta minutos de exibição, eu estava tão absorvida, tão hipnotizada, que acho que não tive tempo para sentir qualquer coisa.
E tudo isso se deve a volta do misterioso Mr. Jones. Aquele mesmo que escapou da cadeia na Alemanha usando o aparelho de teletransporte de Walter e que possuía uma obsessão peculiar com Olivia. Sua presença em Boston trouxe tantas respostas e ao mesmo tempo criou tantas novas perguntas que eu me senti assistindo um episódio de Lost.
“Achamos que entendemos a realidade, mas nosso universo é só um entre muitos. A verdade desconhecida é que a maneira de viajar entre eles já foi descoberta por seres parecidos conosco, mas cuja história está levemente a frente da nossa. O efeito negativo dessas viagens será irreversível tanto em nosso mundo quanto no deles. Começará com uma série de eventos não naturais, difíceis de notar no começo, mas que crescerão, de forma não diferente de um câncer, até um simples fato tornar-se inegável. Só um mundo irá sobreviver. E será nós ou eles.” Além do frio na espinha que causou em mim, a passagem que Walter escolheu é especialmente notável porquê eu acho que ela é a maior resposta e ao mesmo tempo a maior fonte de questões que já nos foi oferecida pelos escritores.
Pelo o quê eu entendi o padrão é uma série de eventos anormais causada pela viagem entre Universos. Jones, Loeb e os homens relacionados a ele são parte de uma exército que pretende lutar na Guerra para que nosso mundo sobreviva, às custas do extermínio do outro mundo. Olivia é uma das futuras guerreiras desse confronto, identifica por Jones enquanto na Alemanha, seqüestrada para confirmação e devida lavagem cerebral e finalmente iniciada em seus recrutamento. E Walter pode ter sido o autor do manuscrito “Destruição por Tecnologia Avançada”.
Começando por essa última parte, o Sepinwall estava conjecturando se uma outra pessoa não poderia ter escrito o manual usando a máquina de escrever de Walter enquanto ele estava no hospício. Eu acho improvável, mas acho também que não se pode esquecer que Walter dividiu o laboratório por muitos anos com o misterioso William Bell. Se quisermos uma aposta menos óbvia que Bishop, eu diria que Bell é um bom candidato. E mesmo que ele não tenha escrito, eu penso que ele deve ter lido o manuscrito. Agora que sabemos mais, não é difícil imaginar as pesquisas embasbacadoras da Massive Dynamics como uma maneira de se preparar para a Guerra. E William Bell e sua fiel escudeira Nina Sharp ficam mais interessantes agora do quê quando parecia que eles apenas queriam progresso pelo progresso. Ou pela cobiça.
Quanto à Olivia ser especial, acho que isso era óbvio desde o começo e mais ainda depois de Safe. É só observar Alias. JJ Abhrams não está exatamente interessado em pessoas comuns. Pelo contrário, ele parece ser fascinado com a idéia de predestinação, de extraordinariedade e grandeza. Eu gosto desse desenvolvimento porquê dá mais dimensão a uma personagem que até então era um tanto rasa. E Anna Torv, que está cada vez melhor e teve sua mais expressiva performance até agora na série, está merecendo uma miscelânea emocional mais complexa para sua personagem. Eu não sei se ela é capaz de segurar, mas ela tem crescido tanto que acho que merece o benefício da dúvida.
Voltando a questão dos Universos, quando eu estava ouvindo o Walter recitar o texto, eu pensei imediatamente em viagens alienígenas. Tem como não pensar? Porém, eu lembrei da Trilogia Fronteiras do Universo, do Phillip Pullman. Nos livros existem na Terra vários ‘mundos’ coabitando o mesmo espaço físico. Porém esses diferentes mundos não se tocam e nós não sabemos que eles existem, e apesar de serem similares em vários aspectos, eles também são diferentes em vários outros. E essa lembrança ficou na minha cabeça. E se os Universos não tiverem nada a ver com viagem espacial, outras galáxias e planetas, mas forem mundos diferentes existentes dentro da própria Terra?
Meu cérebro oficialmente fritou. Só sei que nada sei, e que Ability me deixou realmente fisgada. Vamos ver se até o final dessa temporada a série se torna um vício.

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6 Respostas to "Fringe – 1×14 – Ability"

Thata

uma coisa, talvez por eu gostar demais do ator joshua jackson, tudo devido ao fato de ser um fã cego de Dawsons Creek, pra mim ele é um dos rerutas, na verdade, ate acho que foi ele que desligou as luzes. claro que com aquele final com Nina ligando pra Olivia parece ser ela a habilidosa. mas não esqueçamos de algumas coisas:

walter volta e meia fala que fica triste com o filho por que ele pode ser bem mais do que é, e pra mim nunca foi uma questão de fazer faculdade, ou ter um bom emprego. por um tempo eu pensei que peter era um clone de walter, mas e se, ele for uma ligação desses dois mundos? como? ai lembramos de observador, que salvou peter uma vez, e repetiu tudo que ele disse na segunda vez.

por falar em observador, ate demorei pra dizer isso, na revistas da marvel, tem um personagem chamado observador, que é quase um Deus que tem como função observar todos os eventos pra que ocorram da maneria que deveria ocorrer. é familiar pra vc? sério, se não for uma referência a este personagem, algo está errado. claro que pra eles fazerem isto tinham que pedir permissão a Marvel, e aí ja não sei como foi isso. e claro que este observador da série não é um Deus, mas ficou claro que ele observa pra que tudo aconteça como deve acontecer, e se ele salvou walter e peter, é pq esses dois poderiam morrer, ou seja, um imprevisto iria acontecer e ele teve que interferir.

bom, essa defesa pra Peter na verdade é tentando justificar a possivel falta de utilidade do personagem. algo que me incomoda em Peter é que ele deveria ser mais frio, sabe, mais complexo. gostaria que ele matasse alguem a sangue frio, ou que fizesse atos que nos deixassem na duvida, pois assim que ele nos foi apresentado, e realmente, ele so tem servido pra ser baba de walter, o que é uma pena.

mas eu realmente acho q foi ele que desligou as luzes, e digo mais, ele voltou, ele iria embora e voltou, e pra mim ele ja tem conhecimento desse poder dele, e se ele for realmente um elo dos dois mundos, fica a pergunta, de qual lado ele ficará?

e gostei de sua analise, alias, rebatendo a critica de nosso colega de trabalho, bonnis que alega que fringe erra por criar os misterios de Lost, na verdade, Fringe tem errado em querer satisfazer a audiência, erro que Lost quase comete na terceira temporada. um misterio desde que seja bem elaborado é sempre bem vindo, e nao há como, fringe consegue ser uma boa série policial, mas é ainda melhor quando se torna uma série sci-fi, e serie sci-fi sem nos deixar curioso não é sci-fi.

excelente texto, ta vendo pq vc n pode parar de escrever? onde irei encontrar textos tao bons quanto o seu? e lembre-se q infelizmente ainda nao acesso sites gringos.

e reli agora, tem umas partes que me atrapalhei, sorry.

Eu não acho que foi o Peter que apagou as luzes, acho que foi a Olivia mesmo. E não sou muito fã do Joshua, mas concordo com você que Peter vai se revelar especial no futuro. Talvez não como um recruta como Olivia, mas ele com certeza deverá ter papel crucial na Mitologia da série. E se William Bell inventou a droga que foi dada a Olivia, é bem provável que Peter a tenha tomado também.

Muito bom o texto, e só pra fazer mais uma comparação, já leu “Os Invisíveis” de Grant Morrison (história em quadrinhos)? A história é protagonizada por um grupo anarquista de pessoas com poderes que cuidam de situações extraordinárias ocasionadas por alienígenas que habitam a Terra, e esse episódio de Fringe me pareceu caminhar para uma história bem semelhante.

Isso que você falou da oposição entre “Casos da Semana x Mitologia”, é um dos motivos pelo qual nunca consegui achar Arquivo X tudo o que dizem que era. Tanto que só consegui assitir a série, quando fiz uma seleção composta em sua maioria por episódios da mitologia. Claro que há casos que são interessantes e podem até ser melhores que episódios mitológicos, coisa que também ocorria em Arquivo X. Mas sou completamente contra esses episódios isolados, que não tem absolutamente nenhuma ligação com o resto da história. Se for para ter uma história auto-contida em um episódio, que seja como no 1×13, que. mesmo sendo um caso isolado, tinha ligação com o que já haviamos visto antes, o que elevou o nível da história.
Espero que Fringe aumente a quantidade de Mitologia. Porque os melhores episódios da série, são os que tiveram alguma relação com a Mitologia (1×01, 1×04, 1×10, 1×11, 1×13, 1×14).

ricardo sem contar que tem observador na série, e temos o observador (n lembro se é este o nome) na marvel.. n acho q seja coincidência

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