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Archive for the ‘Dirty Sexy Money’ Category

No começo eu não sabia se a superficialidade da família Darling ia me incomodar ou se continuaria sendo uma ótima paródia dos membros mais célebres e cara-de-pau das famílias Americanas mais ricas, como os Hilton. E ainda não incomodou. Os Darling são ridiculamente descerebrados e extremamente divertidos. Especialmente na maneira como acham que qualquer coisa é motivo pra ligar pro Nick e mandá-lo cuidar da situação. Até porque até as coisas mais simplórias como uma foto de família são levadas a última escala da ostentação com a presença de dois leões vivos. E obviamente essa é uma representação dos Darling. Sentados displicentemente em cima do resto da Sociedade com toda a sua pompa, eles tratam os maiores eventos com um cinismo hilário e os menores acontecimentos com uma importância patética. O que também os ajuda no sentindo de que é impossível saber quando estão mentindo, e Nick está tendo a prova disso enquanto investiga a morte de seu pai. O personagem de Baldwin cresceu, e apareceu bastante no terceiro episódio, ficando cada vez melhor. O político Patrick é talvez o mais perdido de todos os Darling e a cena logo depois de sua batida de carro é impagável.

Donald Sutherland também tem mostrado todo o seu talento e seu personagem é o mais sério e dramático de Dirty Sexy Money. Em sua composição Sutherland criou um homem poderoso e confiante, até mesmo intimidante, mas sensível e humano e sua cena com Jill Clayburg na sacada em The Lions foi uma das poucas cenas realmente tocantes de Dirty Sexy Money. Não que isso seja um demérito. Dirty funciona melhor como paródia. Levando-se a sério demais talvez encontrasse problemas sérios para sustentar uma trama que não prima pela originalidade, mas pela crítica ácida e sarcástica.

1×02 – The Lions – 9 (MPV: Donald Sutherland, Jill Clayburg)
1×03 – The Italian Banker – 9 (MPV: William Baldwin)

Confiram o blog dos escritores da série: http://blogs.abc.com/dirtysexyblog/

 

Poder, privilégio e dinheiro de família são um coquetel volátil. Esse é o mote da nova série da ABC, Dirty Sexy Money, que nos apresenta a sórdida, bela e rica família Darling, e ao advogado Nick George cujo pai que acaba de morrer os serviu a vida inteira, e que aos poucos vê-se embriagado pelo coquetel Darling e seduzido para o furacão que é o cotidiano do clã, apesar de sua experiência passada e seus valores de homem de família surgirem como uma defesa entre ele e os incautos Darlings.
Como uma verdadeira empresa multinacional, os Darlings são cheios de braços, na forma de herdeiros, que tocam as mais diversas camadas de poder. Enquanto o patriarca controla o Império, os negócios, o dinheiro, o filho mais velho Patrick está a beira de uma candidatura ao Senado, o filho Bryan é um Reverendo, e os outros três filhos, Karen, Juliet e Jeremy vivem uma vidinha de celebridade, alimentando a indústria do entretenimento com um pouquinho mais de mediocridade. Mas não são apenas os três últimos que se alçam pela imprensa. Célebres, os Darlings são consumidos avidamente em toda sua soberba e futilidade.
Os Darling são um fetiche. O fetiche de toda uma sociedade de consumo globalizada, em seu todo. Talvez os dois conceitos de fetiche mais usados sejam o de Freud, o fetichismo sexual e o de Marx, o fetichismo de mercadoria. Com Marx temos a atribuição à mercadoria de uma valorização que transfere a cobiça do objeto diretamente para o seu possessor. E com Freud temos a transferência da cobiça sexual para um objeto ou uma parte do corpo, ou uma prática, que assumem em si todo o valor erótico e servem como um repositório do desejo.
Eu não sou psicóloga nem nada, e não tenho bases científicas probatórias pra dizer isso, mas me parece que o dinheiro tornou-se o grande fetiche sexual das sociedades, unindo o fetichismo de Freud com o fetichismo de Marx em uma coisa só. O dinheiro como o símbolo mais palpável e canalizador mais conhecido e supostamente mais rápido para o prazer imediato. E somado a isso tudo, as imagens associadas ao dinheiro, as Paris Hilton e Juliet Darling da vida, que sem nada de real a acrescentar apenas representam um objeto de desejo. Em certo ponto deste episódio, a personagem supracitada diz à mãe:
“Eu quero ser um ser humano.”
E obtém como resposta:
“E um dia você será um. (…) Mas não hoje.”

Porque hoje ela é apenas mais uma miragem, com todo o seus status e superficialidade. Esta última latente em quase todos os membros da família Darling. Tendo todo o dinheiro que se pode ter, eles apontam seus fetiches em outras direções. Em meio ao luxo e a extravagância, eles canalizam seus desejos para o sexual, ou para o trabalho, ou para o amor, ou para a mais ridícula das crises existenciais. Se por um lado Dirty Sexy Money pode ser considerada convencional por alguns, por outros (eu, entre eles) ela pode ser vista como um retrato cínico dos objetos de consumo cultural da sociedade capitalista, os ricos, com sua vida fabulosa e ociosa, e interpretados aqui com competência por um elenco extremamente carismático.

1×01 – Pilot – 8 (MPV: Jill Clayburgh, Gleen Fitzgerald)

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