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LaFleur foi o último dos episódios destinados a preencher lacunas (eu acho), uma trilogia muito proveitosa começada com 316. Apesar de seus dois antecessores trazerem informações e cenas muito mais relevantes para o panorama geral da série, é desse oitavo episódio que eu mais gostei. E embora ambas as jornadas de Jack e Locke tenham me emocionado, foi a vida de Juliet e Sawyer nos anos 70 que mais profundamente me tocou.
Talvez eu sempre tenha gostado de James Ford, mas não foi até o começo da terceira temporada que minha admiração pelo sulista e seu intérprete Josh Holloway se pronunciou. O bad boy com o passado trágico sempre foi uma figura atraente, e um dos poucos protagonistas originais que evoluiu com o tempo. Enquanto John vivia um relacionamento conturbado e milagroso com a Ilha, Sawyer experimentou uma experiência similar com as pessoas ao seu redor.
Solitário, desconfiado e cínico, James teve que tentar muito para criar laços com as pessoas. Aproximar-se às vezes parecia excruciante, e infelizmente, muitas vezes sua falta de fé na natureza humana provava-se sábia. Porém à medida que suas dificuldades em deixar as pessoas entrarem no seu coração gradualmente diminuíam, sua sensibilidade em perceber quando as pessoas estavam emocionalmente envolvidas com ele tornou-se mais aparente. E provavelmente por sua própria história, sua relutância em magoa-los também.
Em Left Behind (3×15), Hurley diz a Sawyer que na ausência de Jack, Kate e Sayid, ele é a coisa mais próxima que os Losties possuíam de um líder. Bom, eu acho que essa máxima é apenas parcialmente verdadeira agora. Depois de lutar para proteger o grupo quê ficou com ele, de escanear com ajuda de Jin cada centímetro da Ilha á procura de John e dos demais amigos desaparecidos por três anos e de agir em prol da paz e segurança da vila dos Outros, ganhando assim a confiança dos trabalhadores da Dharma, eu considero que mesmo com a presença do trio citado acima, mais Locke e Ben (mesmo que em um tempo diferente) na Ilha, James Ford, agora conhecido com Jim LaFleur, é o melhor líder que os Losties poderiam desejar. Ele é forte e determinado, esperto, altruísta e transpira humanidade por cada poro. Se relembrarmos a primeira temporada isso deve parecer tão irônico, mas ele provou ser a pessoa com quem os demais sobreviventes podem sempre contar. E é por isso que ele é o meu personagem favorito (e porquê eu reclamo tanto por aqui quando ele é subaproveitado).
Foi impossível eu não me emocionar com Josh nesse episódio. Sua habilidade para atuar se tornou impressionante. E sua atenção aos detalhes e sutilezas de seu personagem me faz colocá-lo no rol dos grandes atores de Lost. É só observar o breve e discreto sorriso que ele dá quando Goodspeed lhe diz que seu grupo mandou ele dirigir suas perguntas à Sawyer, porquê ele era o capitão do navio (uma excelente metáfora, vale apontar), exatamente como ele tinha orientado. Ou como seu rosto se ilumina ao saber que o bebê de Amy sobreviveu, ou como sua expressão se enche de tristeza ao saber que Paul era na verdade seu marido.

Mas a cena que realmente rendeu lágrimas de felicidade da minha parte (literalmente, eu tive que ir no banheiro lavar o rosto) foi a seqüência em que Sawyer pede a Juliet que fique na Ilha por ele, seguida pela cena em que eles trocam juras de amor (será que os vizinhos ouviram meus gritos de excitação?).
Eu fui Sawyer/Kate durante os primeiros anos, torcia muito por eles. Assim como torci por Jack e Juliet. Mas os produtores decidiram colocar Jack e Kate juntos fora da Ilha, e eu acabei aceitando eles como casal. E comecei a torcer por Sawyer e Juliet, e o motivo não foi apenas a química visível entre os atores. Como eu escrevi em uma das minhas reviews, todas as pessoas em quem James e Juliet confiaram no passado os traíram de alguma maneira. Ambos foram reféns de circunstâncias alheias a suas vontades, jogados em um mundo assustador e sombrio (Sawyer muito antes de sequer pisar na Ilha) e tiveram que endurecer para sobreviver. Ambos fizeram coisas duvidáveis e acabaram se tornando assassinos, matando em dois atos de desespero separados e distintos, mas que ecoam tão pungentemente entre si. Unidos por um passado feio, feridas profundas e o sentimento de abandono, eles encontraram conforto e segurança um no outro. Então foi com deleite que eu testemunhei eles se tornaram amigos, confidentes e agora amantes.
Por isso, o fim desse episódio me deixa temerosa. Eu sabia que iria acontecer há dois episódios atrás, mas depois dos quarenta primeiros minutos de LaFleur, não teve como não ficar com o estômago embrulhado. Parece-me que Kate e possivelmente Jack também chegam para balançar o estilo de vida Peace, Love and Understanding em que Sawyer e Juliet conseguiram finalmente se assentar depois de anos de horror. Eu até entendo que Sawyer fique balançado por Kate, seria estranho se ele não ficasse, mesmo depois de ele afirmar que já a esqueceu. Mas a idéia do retorno do quadrado amoroso realmente não me apetece.
Eu sempre torço tanto pelos casais, que pode não parecer, mas eu concordo com quem diga que Lost não é romance. Ou quê pelo menos o romance não é o centro da trama. É bom que exista, porquê na vida real as pessoas se apaixonam. Especialmente quando as situações são extremas. Aí mesmo que existe uma certa tendência a laços fortes serem formados. Pessoas são assim, precisam de outras pessoas. Amor é uma parte inerente e complexa das nossas naturezas, e muitas das grandes estórias e histórias são sobre amor. Eu acho uma coisa ótima a série tratar de amor, apesar de ser um drama sci-fi. Mas podem por favor não transformar Lost em uma novela mexicana?
Eu sei que estou reclamando sem ao menos saber o quê vai acontecer a partir de agora, mas é que depois de cinco anos eu queria que Kate se decidisse entre Jack e Sawyer e mantivesse essa decisão. Sawyer me parece feliz, Juliet me parece feliz e eles são as duas pessoas de Lost que mais merecem um pouco de felicidade. Então, por favor, perdão se eu estou soando um pouco precipitada, mas a idéia de que essa felicidade possa estar ameaçada faz com que eu me sinta uma leoa protetora. Por mais ridículo que isso possa soar, já que estamos falando de um show de ficção.

Apesar do quão entretida eu estava por Sawyer e Juliet, e pelas sensacionais performances de Josh e Elizabeth Mitchell (especialmente quando ela finalmente consegue fazer um parto na Ilha onde ambos criança e mãe sobrevivem!), LaFleur teve outros pontos igualmente fascinantes. Eu estou tentando não quebrar minha cabeça com a inserção dos Losties nos anos 70 e na Iniciativa Dharma, mas será que é por isso que Kate, Jack e Hurley necessitavam voltar? Porquê na verdade eles estiveram lá nos anos 70 e sua presença é parte da história daquele lugar, e da estrutura dos acontecimentos daí em diante? Eu não ficaria chocada em descobrir que a presença de Christian e sua relação com a Ilha são conseqüências da presença de Jack e não o contrário como nós sempre pensamos. Ou em ver que a misteriosa voz narrando os números malditos e transmitida através dos rádio é a do próprio Hurley. Ou se de fato Adão e Eva se provarem um casal que nós já conhecemos.
Eu sempre fui fascinada pelos Outros e talvez seja esse o motivo de eu gostado tanto da terceira temporada. A idéia por trás da Dharma, dos hostis e da Guerra entre eles sempre foi fascinante, e apesar de não ser muito revelador em relação ao quê aconteceu, cada segundo de anos 70 de LaFleur valeu a pena. Ver Charlotte correndo pela vila ainda criança, descobrir que Horace Goodspeed era o líder da expedição, conhecer novos membros da Dharma… Será que Benjamin também está correndo por aí? Desde o começo dessa temporada eu estava martelando a possibilidade de a mulher do passado de Ben que supostamente Juliet lembra (algo que Harper menciona em The Other Woman) seja a própria Juliet, e isso está parecendo mais provável que nunca, não? E o quê aconteceu com Olivia, a professora da escola da vila com quem Horace estava quando conhece Ben e seu pai? Eu sempre pensei que ela fosse a Senhora Goodspeed, mas agora sabemos que essa era Amy.
E para finalizar essa review, tem a aparição breve e de costas da estátua de quatro dedos. Há muita especulação se a estátua não seria de Anúbis. Considerando os hieróglifos espalhados por toda a Ilha, eu acho que é uma teoria válida. Não seria incrível se descobríssemos que a Ilha foi primariamente habitada por um Faraó (eu comecei a ler A Tempestade esses dias)? A descendência Egípcia explicaria bastante sobre os Outros, até mesmo a maquiagem de Richard Alpert ou porquê eles falam Latim (a minha melhor referência em história romana é, bom, a série Roma, mas o Império Romano dominou o Egito por um tempo, certo?).
Infelizmente, semana que vem Lost fará uma pausa e nós só teremos episódio inédito no dia 18 de Março. É certo que eu me corroerei de ansiedade até lá, e vocês?


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