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Em certa altura de Bloodline, um dos UNSUBS, no exato momento em que é preso por Morgan, relembra como na antigüidade os guerreiros invadiam cidades, matavam homens, mulheres e meninos, mas ficavam com as garotas. Na época, era uma tática de sobrevivência que permitia que aqueles homens perpetuassem suas linhagens de alguma maneira.
Bloodline aborda um crime de essência semelhante. Aqui a questão já não é mais a sobrevivência, mas a tradição. Porém, o quê somos nós enquanto sociedade se não ritualistas? Nós todos acreditamos que nós entendemos como funciona o mundo e que passamos para frente os mecanismos que consideramos essenciais a nossa existência. Por isso, Bloodline não é somente sobre um crime. É sobre uma sociedade atacando o modo de vida da outra; sobre uma sociedade se defendendo da outra. É sobre a segurança que todo ser humano procura, e que geralmente encontra naquilo que é comum a seus semelhantes. Bloodline é um daqueles episódios que me faz questionar e refletir. Mesmo que sua abordagem não seja macro, mas feita através do olhar dos agentes da BAU que voam para o Alabama para encontrar uma garotinha de 10 anos, raptada oito horas antes.
Os responsáveis, uma família cujo filho tem idade semelhante a da menina raptada e cuja mãe também havia sido raptada, como a menina, muitos anos antes e transformada em esposa e mãe. O roteiro é simplesmente brilhante. Para aquele grupo de pessoas, aquela micro-sociedade, levar sua existência tal como eles aprenderam e acreditam ser sagrado, eles atacam o nosso modo de vida, roubando meninas da nossa sociedade e transformando-as neles. Nós nos defendemos e ao mesmo tempo, contra atacamos, os punindo por fazerem aquilo que na nossa sociedade é contra-lei. E como defesa, eles se fecham em silêncio e protegem seus “irmãos”. Em essência, é um guerra de costumes.

O episódio também apresenta a questão da Síndrome de Estocolmo: adapte-se ou morra. Eu já acho que é uma questão mais complexa: fique isolado dentro de uma única maneira de pensar, tendo acesso a apenas um tipo de ideologia, e é difícil qualquer pessoa questionar qualquer coisa. E não é só algo que aconteça com pessoas em cativeiro. Na verdade é incrível como mesmo pessoas que tem contato com outros tipos de idéia, seja através de outras pessoas ou através dos meios de comunicação de massa, às vezes mantêm uma mesma maneira de pensar a vida toda, e não conseguem entender outros pontos de vista de maneira alguma.
O crime afeta Todd desde o começo e já nos primeiros minutos eu percebi que ela teria outra das crises dela. É fato que a personagem foi posta ali para nos mostrar o quanto o trabalho na BAU é difícil. No final, quando ela diz a Hotch que espera que ele dê o devido valor a JJ, eu meio que senti como se fosse uma mensagem dos produtores para nós telespectadores. E mesmo que não seja, é algo que aconteceu comigo. Eu nunca dei nada por JJ, mas senti falta dela e fico feliz que ela estará de volta já no próximo episódio. Infelizmente Jordan me pareceu emocional demais e competente de menos. E eu nunca cheguei a gostar da Meta Golding, o quê significa que a partida dela não tem nenhum efeito em mim.

Outra constatação que Jordan faz (e que é muito óbvia, porquê é algo que qualquer fã da série consegue dizer) é que o time da BAU é uma família, e que uma família acaba incorporando os traços mais marcantes de seu líder. Foi impressão minha ou isso soou como uma acusação partindo de Todd de que o resto do time esconde suas emoções porquê Hotch o faz? Eles são super controlados sim, e como Rossi aponta bem, eles se escondem atrás da linguagem para não deixar os casos os atingirem de maneira muito dura, mas como Morgan responde de maneira perfeita, é a maneira que eles tem de se manterem objetivos e consequentemente, eficientes.
E o fato de eles serem frios e centrados não os torna menos humanos. Aliás, frieza e objetividade não faz de ninguém menos humano, da mesma maneira que excesso de emoção não torna a pessoa fraca (mas em alguns casos, a torna irritante para pessoas que não compartilham seu modo de se comportar, o quê eu sorrateiramente deixo como justificativa da minha completa desconsideração para com Jordan Todd). E Morgan, Reid, Prentiss, Rossi e até mesmo Hotch não são imunes ao sofrimento alheio em momento nenhum.
Pelo contrário. Nesse episódio, Hotch rapidamente empatizou com o pai ausente da primeira vítima de seqüestro, Cate Hale. E Thomas Gibson esteve absolutamente sensacional durante os quarenta e tantos minutos de projeção, mas alguns de seus melhores momentos são com o pai de Cate, especialmente quando ele lhe confidencia sobre não saber se seu filho Jack teria gostado de um presente de Natal dado por um de seus colegas (e meu curioso cérebro na hora começou a pensar sobre quem poderia ser o tal “colega” e como boa shipper que sou, eu espero que tenha sido Emily).


A cena só não superou a rotina tira bom/tira mau que ele faz com Prentiss para tentar abalar a seqüestradora/seqüestrada Kathy Gray. E Emily é perfeita para o papel de boazinha, porquê novamente ela é quem consegue lidar melhor e de maneira mais doce e calorosa com as vítimas. Prova disso é a fantástica cena da entrevista cognitiva em que ela interroga Cate. Paget Brewster e Adair Tishler (a Molly de Heroes) estão fantásticas, e tornam uma cena que já era bem feita em algo extraordinário.
Além deles, tem sempre Garcia e suas ótimas tiradas cômicas, que fazem tudo aquilo não parecer tão horrível pelos poucos segundinhos que ela fica na tela. E Kirsten Vangsness sempre merece menção por seu ótimo trabalho sobre um texto que é tão geek que não pode ser fácil de transpor para a tela da maneira engraçada e adorável que ela faz. Mas no geral, tirando Meta Golding, todo o elenco estava absolutamente afiado, incluindo os atores convidados Cynthia Gibb e Andrew Divoff (que coincidentemente interpreta o mais novo nêmesis de Horatio Caine em CSI Miami). O quê tornou a experiência de assistir Bloodline ainda mais gratificante.

A minha espera pela volta de Criminal Minds foi tão grande, que eu acho que estava mais ansiosa pelo retorno da série policial do quê pelas estréias das temporadas de Lost e Damages. Eu estava morrendo por um pouquinho do time de profilers, de Quantico, das frases hilárias da Garcia, da genialidade do Reid, do charme e a determinação de Morgan, da serenidade e sabedoria do Rossi e da perspicácia e segurança de Prentiss e Hotch.
Porém Soul Mates não nos leva a território familiar. Ele tira o confortável de debaixo de nós como se puxasse um tapete, e utiliza-se, novamente, de uma estrutura narrativa diferenciada. Ao invés de acompanharmos a equipe recebendo debriefing do caso em Quantico, o avaliando, fazendo o brainstorming no jato e começando a traçar o perfil e procurar por suspeitos, já começamos com a prisão de um suspeito. Uma prisão que é um tanto precipitada, considerando que não há muitas evidências, e com isso eles tem pouco tempo para quebrar William Harris.
Sim, a partir daí a maneira de conduzir a trama lembra muito Masterpiece. Só que é muito melhor que o episódio com Jason Alexander (que a cada vez que eu reviso na minha cabeça, só me parece pior, mas eu ainda vou vê-lo de novo para reavaliar). Todavia, parece que depois de 52 Pickup, o nível caiu de brilhante para apenas muito bom. Soul Mates é ótimo, mas ainda não me empolgou como o começo dessa temporada. É claro que se eu vejo um episódio ótimo, que fica acima de vários outros episódios de outras séries, e ainda assim acho que está abaixo da média da temporada, isso mostra o quanto a qualidade está alta. E com o nível tão alto, não tem como a expectativa não ficar alta demais também.
William Harris é um ótimo personagem. Ele é tudo aquilo que Prof. Rothchild não conseguiu ser. Arrogante, seguro, educado, insensível. E em um caso raro, seu parceiro, Steven Baleman, também o é. Dois sujeitos dominadores, em uma parceria extremamente forte, mas que é abalada assim que a BAU começa a plantar evidências de traição, e a fé de Baleman na lealdade de seu parceiro balança.
O roteiro trouxe um caso extremamente coeso, com um profile interessante e um trabalho de equipe afiado. O time é dividido: Rossi e Morgan entrevistando e tentando manipular o suspeito (com destaque para Morgan, que se mostra cada vez melhor em coagir os UNSUBs), Reid fazendo análise lingüística de um Live Journal que ambos os suspeitos mantinham para se comunicar (e se em Angel Maker tivemos o “He’s so life-like!” da Prentiss, aqui tivemos Rossi dizendo ao detetive responsável que o gênio “Foi deixado em uma cesta na porta do FBI” quando perguntado sobre onde eles encontraram Spencer), Garcia como sempre conseguindo as informações necessárias direto de seu bunker, e Hotch e Prentiss falando com a família e demais pessoas de interesse (e como eu sou shipper dos dois, adorei vê-los grudados o tempo todo durante a investigação).

Prentiss continua ganhando destaque. Ela é uma quase Hotch, e nessa temporada está assumindo bastante uma posição de liderança, mas ela é quase tão calorosa e se relaciona tão bem com as pessoas quanto JJ (e para quem nunca deu nada pela loura como eu, é duro admitir, mas ela faz muita falta, especialmente porquê Todd não convence, e mesmo que conseguisse convencer, ela mal apareceu). O elenco todo faz um trabalho notável, mas Paget Brewster é a estrela dessa quarta temporada. A expressividade dela é tão grande, que me deixa triste saber que por causa da natureza da série sua composição não será tão reconhecida como merece. E além dela, Matthew Gray Gubler, continuando a ser espetacular, também se sobressai.
O diretor John Gallagher (No Way Out, Seven Seconds) também soube conduzir muito bem o material que tinha em mãos. Eu fiquei extremamente tensa no momento do climax, o final, quando Steven rapta Andrea, a filha de William, mas ainda assim o suspeito se recusa a assumir a culpa pelos crimes e dar o paradeiro do parceiro para que a BAU possa resgatar sua única filha das mãos de um estuprador em série e assassino. Mas enfim a BAU consegue o suficiente para prender os dois. E eu mal posso esperar pelo próximo.


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