Séries Addict

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House tem tido uma temporada extremamente irregular e infelizmente, até aqui, já no seu décimo terceiro episódio, a quinta temporada não nos brindou com nenhum episódio absolutamente embasbacador, com uma daquelas pequenas obras-primas como 97 Seconds e Euphoria. Big Baby não chega lá, mas é um episódio tão bom, que me dá esperanças.
Partindo do ótimo gancho deixado por Painless, em Big Baby já vemos Cameron assumindo as funções de Cuddy para que esta possa ficar em casa com Rachel. O quê significa que a ex-pupila de House ganha a autoridade para ditar o quê ele pode ou não pode fazer. Eu nunca fui muito fã da Cameron, mas sinto uma falta tremenda dela e adorei cada minuto a que Jennifer Morrison teve direito nesse episódio. Cameron conhece muito bem House e fez um ótimo trabalho contornando as tentativas de manipulação dele e mantendo ele na linha. Por mais que eu seja fã de Cuddy e entenda que o relacionamento dela com House é singular, Cameron conseguiu ser até melhor que ela lidando que o médico e suas exigências absurdas por testes mais absurdos ainda.
A paciente em questão era uma professora de crianças com necessidades especiais, e é claro que logo que House a ouviu falando por cinco minutos e percebeu como ela aceitava maravilhosamente bem todas as coisas irritantes que vêm com aquelas crianças (e o fato de quê ela inverteu dois números há seis anos atrás), ele conclui que ela tem que ter dano cerebral. Apesar da personagem em si, Sarah, não ser extremamente interessante, as disputas de poder que aconteceram em torno do tratamento dela foram. Além de House e Cameron, ainda tivemos Cameron e Cuddy, que apesar de tudo não conseguia parar de se preocupar com House, e House e Kutner, que enfrentou Greg como Foreman costumava fazer. E no fim, eu fiquei extremamente feliz que Sarah tenha continuado a ser a professora amorosa e extremamente tolerante, para incompreensão de House.
Cuddy e Wilson apesar de não estarem envolvidos na trama principal, também apareceram bastante, e a storyline deles na verdade foi a minha favorita. Toda essa coisa da adoção de Cuddy realmente aconteceu bastante rápido, então eu apreciei que eles tenham mostrado tudo isso que caiu no colo dela finalmente a atingindo e a deixando desnorteada com dúvidas e medos. A conexão com o bebê não simplesmente aconteceu, não havia amor, ou felicidade. Só cansaço e frustração, e uma mulher decepcionada pelo fato de seu maior sonho, o de ser mãe, não ser mágico ou sublime de nenhuma maneira. As confissões dela para Wilson soaram reais e naturais, e Lisa Edelstein mais uma vez esteve magnifíca.
Robert Sean Leonard também fez muito bem a sua parte e trouxe de volta toda a fofura do personagem, que tentava a todo custo convenver Cuddy de quê eventualmente ela amaria o bebê e que não deveria dar ouvidos a House sobre devolver a criança. Eu adoro quando colcocam a amizade dos dois em foco e aqui foi um daqueles momentos preciosos na série. Contudo, as grandes cenas desse episódio são duas: quando House e Cameron abrem a cabeça da paciente, e Kutner liga para Cuddy e a põe no viva-voz para dar uma bronca nos dois, o quê acaba fazendo com que todo mundo ouça seu quase-colapso nervoso por não conseguir acalentar Rachel, seguida por seu espanto e alívio quando esta simplesmente pára de chorar, finalmente quebrando a barreira de gelo que havia entre as duas, e de irritando a paciente o suficiente para House perceber que seu diagnóstico estava completamente equivocado; e logo depois quando Cuddy, agora maravilhada em ser mãe, encontra House no seu escritório e faz ele segurar a pequena Rachel, que acaba vomitando em cima dele. Enquanto a primeira cena prima pela tensão e pelo caos, a segunda é de uma delicadeza ímpar. Banhados por uma luz que já cria um clima íntimo e acolhedor, Edelstein e Laurie são capazes de exprimir uma proximidade inigualável. As expressões no rosto de cada um são primorosas, e me convenceram completamente de quê apesar de tudo, House seria de fato a primeira pessoa que Cuddy procuraria para simplesmente dividir sua fecilidade. Eu acho que foi extremamente justo que Hugh tenha ganho o SAG, e acho que se Edesltein não for indicada ao Emmy em Setembro será uma grande injustiça.
A única coisa que não me agradou em relação a esse episódio foi que eles terminaram os dois arcos mais interessantes, Cuddy não conseguindo sentir nada pela filha e Cameron como chefe do hospital, e simplesmente terminaram de maneira rápida demais. As storyline tinham potencial e a de Cameron especialmente pareceu sem justificativa, porquê ela não se saiu mal controlando House. Sim, ela deixou que House abrisse a cabeça da paciente e no final, não havia necessidade daquilo, mas Cuddy, apesar das reclamações, teria feito a mesma coisa. Só espero que Morrison não volte a desaparecer e que Cuddy e Wilson continuem a ter o espaço que merecem. Que venha o centésimo episódio.

Às vezes, eu fico realmente entediada com as metáforas óbvias e tentativas de melodrama de House. Mas às vezes, eu realmente fico tocada por elas. E Joy to the World se encaixa na segunda categoria.
Chega ao hospital uma adolescente de dezesseis anos, Natalie, que depois de uma humilhação pública por parte dos colegas, acaba passando mal em pleno palco durante uma apresentação de Natal. Cuddy começa a se envolver no caso, e é atraída para garota como um imã atrai metal. Ela está ao lado de Natalie o tempo todo e House fica se perguntando, e perguntando a ela, tentando acertar, o porquê. E junto com ele nós também tentamos achar uma resposta. Será que ela foi vítima de bullies na escola ao invés da rainha popular e linda que atraía todos os garotos como House cismou que ela deveria ser? Por quê ela considera que sua vida pessoal era tão ruim? Só devido a dificuldade dela em manter um relacionamento ou algo mais?
Só muito depois de ter assistido o episódio eu fiquei com essa teoria em mente. E me pareceu tão óbvio, mas eu estou apenas tentando adivinhar, como House. Natalie não seria a Cuddy adolescente, mas a Cuddy atual. Ela é sozinha, mas é bem-sucedida. Ela confia nas pessoas, mas é decepcionada e traída repetidamente. E o mais importante, Natalie namorou Simon, que a maltratava, mas secretamente gostava dela; que na frente dos outros era um cretino, mas que na intimidade, ela via o verdadeiro. Soa como o relacionamento de alguém conhecido por todos nós?
Durante todo esse episódio nós temos uma espécie de continuação do que eles estavam fazendo em “Let Them Eat Cake”. Cuddy saiu do escritório de House, mas ela agora está presente todo o tempo na sala de diagnósticos, participando, e quer isso o perturbe ou não, ele está determinado a manter os jogos acontecendo com ela. É claro que ela é boa, joga quase tão bem quanto ele, e as pequenas discussões falham tão miseravelmente em seu objetivo, que é expor a vulnerabilidade do outro, que parece até coisa de adolescentes. Mas como eu já mencionei, Cuddy se importa com Natalie e ela se esforça com aquela obsessão que tem faltado a House ultimamente, e em um momento de epifania, descobre qual é a doença da garota. Algo que ela só poderia ter se tivesse estado grávida. E depois da confirmação de Natalie, lá vai Cuddy procurar o corpo do bebê.
Por um momento, eu achei que algo de muito ruim fosse acontecer com ela. E não entendi o porquê de ela ir procurar o cadáver da criança até ficar claro que os roteiristas não a tinham posto ali para isso. Com meu alívio de ver que o cara que inicialmente a ameaçara era inofensivo, eu passei a me preocupar com a possibilidade de Cuddy, em posse de uma criança que todos acreditavam estar morta, fizesse uma besteira guiada por seu desespero em ser mãe (e pelo fato de que Natalie morreria de qualquer maneira). Mas ela fez a coisa certa, levou a criança de volta, e foi recompensada por isso. Não só ficou com a menininha, mas também recebeu de House aquele pequeno gesto de gentileza que eu não achei que ele fosse direcionar a ela tão cedo.
Ele já tinha sido gentil o suficiente, e eu achei que ele fosse fazer o quê sempre faz: dizer ou fazer algo cruel, para evitar que ela fosse machucada de forma pior no futuro (ou assim ele entende). Mas aquele foi um outro House: um que apoia ao invés de zombar, aquele que Wilson não acredita ser possível, mas que eu acredito existir, e acho que nós já vimos bastante dele, quando Stacy ainda estava no show (ele não era gentil o tempo todo, mas era, e bem mais do quê o normal).
E para provar a Wilson que ele podia ser essa pessoa (já que Wilson jamais veria a cena entre ele e Cuddy), House foi bonzinho com seus pacientes da clínica até que o primeiro trouxa ficasse tão agradecido que lhe fornecesse as provas para ganhar a aposta que fez com o melhor amigo. Adorei toda a trama da mulher que teria engravidado mesmo sendo virgem, mas o quê me fez rolar de tanto rir mesmo foi a cena em quê a mulher usa a bombinha de asma como se fosse um perfume, aplicando o remédio no pescoço. E ainda pergunta a House se ele pensa que ela é idiota! Duh.
Taub e Kutner também tiveram participação na comédia do episódio, mais uma vez. Dessa vez, eles foram investigar sobre um presente que House teria ganho. O quê foi Wilson contando aquela estória sobre Irene Adler? Mesmo quando aparece pouco, Robert Sean Leonard dá um show. Só não foi melhor que Taub colocando House contra a parede sobre ele ter sentimentos em relação a Cuddy. É claro que em se tratando de atuações, porém, o episódio pertence mais uma vez a Lisa Edelstein. Laurie também estava sensacional, como sempre, mas me pareceu que o texto dele foi escrito, em grande parte, para que ele pudesse divertir-se, enquanto a carga dramática ficou em cima de Edesltein.
Acho que House finalmente está sendo aquela série com a qual nos acostumamos nos últimos quatro anos. Os dois últimos episódios foram excelentes, e não vejo razão para a qualidade cair.

Na minha opinião, a melhor série da temporada até agora tem sido House. Não que ela seja sempre perfeita, mas ela sempre supre as minhas expectativas, quando não as supera. Nesses últimos três episódios, Birthmarks, Lucky Thirteen e Joy, ela definitivamente superou minhas expectativas. Talvez, elas até estejam baixas ultimamente, apesar de eu não achar que eu estou assistindo séries ruins. Mas quando eu comparo House com o resto, parece que a série de David Shore está tão mais bem feita.
House é um organismo saudável, com um cérebro e um coração incríveis. Para min, o cérebro de House é seu roteiro. Toda a parte técnica de House é excelente, a noção de ritmo dos diretores é fenomenal, a fotografia às vezes chega a se de embasbacar, a trilha (quando eu noto) sempre agrada. Mas são as estórias que estruturam House. As estórias das pessoas. Ver House confrontando seu pai morto, ver Thirteen encarando sua condenação a morte de uma maneira que todos condenam, ver Cuddy lutando para ser mãe. É claro que algumas dessas histórias eu provavelmente vi em um outro filme, uma outra série. Mas em House, às vezes tenho a impressão de que estou vendo uma estória única. Eles sabem criar muito bem um contexto envolvente. Eles sabem me cativar. É claro, que nisso também entra o coração de House, as atuações. Nem tanto a Olivia Wilde, e os outros que acabaram de entrar, porquê eu ainda não consegui me tornar uma grande fã deles. Mas Hugh Laurie, Robert Sean Leonard e Lisa Edelstein vieram criando tão bem seus personagens todos esses anos, que eu me envolvi. Não tem como não me comover.
Não teve como não me comover com House, aquele sujeito inapto socialmente, que faz um discurso totalmente acusatório no enterro do pai e com a história de como começou sua amizade com Wilson e com a reparação dessa amizade. Wilson já perdeu tanto que tem medo, medo de perder; House já perdeu tanto, talvez ele tenha medo de perder os outros, mas obviamente ele tem mais medo de perder a si mesmo. Qual dos dois está errado? Acho que nenhum. Não teve como não me comover com Cuddy, que parece ser tão sozinha. E tudo o quê ela queria era alguém. Uma criança, uma filha, que lhe foi negada. Mas no final House joga a corda, e talvez ela vá ter alguém daqui em diante, talvez não, porquê quem vai saber? O House é o House, e ele vai preferir machucá-la a se perder.


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