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Wilson\'s Heart House Season Finale

Amizade é, supostamente, uma via de duas mãos. É um relacionamento que envolve estima, afeição, respeito e lealdade mútuas. Mas a realidade é que essa reciprocidade nem sempre apresenta-se em níveis iguais, ou de formas semelhantes, ou sequer está lá. Amizades são difíceis. Enlouquecedoras, em ocasiões. Mas valem a pena. Aquele contato humano, por mais desafiador e problemático que seja, pode ser a única coisa separando um indivíduo da solidão. Da completa alienação, do vazio. Pode doer, mas é melhor que não sentir.
Por quê eu senti a necessidade de falar sobre isso? Porquê é sobre isso que é Wilson’s Heart. House é um sujeito tão difícil de se lidar, que é difícil se imaginar sendo amigo dele. Ele é honesto demais, sarcástico demais, e parece fazer um esforço constante para manter qualquer um longe de seu coração. Ainda assim, Wilson e Cuddy se mantém ao seu lado através dos anos. Eles levam pancadas, e House já os tratou como se não se importasse em lhes causar sofrimento, mas eles continuam lá. E Wilson, roubando um pouco de Grey’s Anatomy, é a pessoa do House. É com quem ele fala, é sempre a primeira pessoa que ele procura, é a pessoa em quem ele mais confia. E até aqui, apesar de todas as coisas, isso era mútuo.
Esse episódio não foi sobre House, foi sobre Wilson. O coração dele, mais precisamente. Foi um episódio de sentimentos, estranhamente, porquê House dificilmente é sentimental (não num sentido melodramático, mas de sentimentos mesmo). Aonde os sentimentos de Wilson iam, House ia, e a trama ia. Seu desespero, seu medo, seu amor, provocavam algo em House, que forçava a mão em lugares onde ele nunca antes forçou a mão. House parecia culpado, mas como não estaria? Ele feriu seu melhor amigo de morte, e de alguma maneira acho que quando isso acontece, podemos sentir as coisas se desmoronarem. House nunca esteve tão vulnerável, porquê Wilson nunca esteve tão vulnerável. A previsão do ódio que Wilson sentiria o manteve em coma. Mas até mesmo seu subconsciente concorda, ele mereceu.
Ao ver o quê aconteceu na noite da batida do ônibus e vermos as cenas em que Wilson, convencido por Cuddy, acorda Amber e se despede, eu tenho que concordar também. Não vou começar a odiar House por isso, mas ele age de forma egoísta e agora isso matou a mulher que Wilson amava. House chegou a algumas conclusões bem dramáticas enquanto em coma. O destino deu-lhe um belo tapa na cara, e se agora ele não mudar, não muda nunca mais (mas se ele virar bonzinho e feliz, paro de ver a série, seriously).
Se pensarmos direito, uma coisa que os três protagonistas da série tem em comum (por isso, é aceitável que haja uma empatia) é que são auto-destrutivos. House, Wilson e Cuddy, todos os três encontram uma maneira de sabotarem a si mesmos. E a principal delas é justamente serem amigos um dos outros. Ou talvez eu esteja completamente errada e deva parar com minha psicologia de botequim. Amizades são complicadas.


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