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Às vezes, eu fico realmente entediada com as metáforas óbvias e tentativas de melodrama de House. Mas às vezes, eu realmente fico tocada por elas. E Joy to the World se encaixa na segunda categoria.
Chega ao hospital uma adolescente de dezesseis anos, Natalie, que depois de uma humilhação pública por parte dos colegas, acaba passando mal em pleno palco durante uma apresentação de Natal. Cuddy começa a se envolver no caso, e é atraída para garota como um imã atrai metal. Ela está ao lado de Natalie o tempo todo e House fica se perguntando, e perguntando a ela, tentando acertar, o porquê. E junto com ele nós também tentamos achar uma resposta. Será que ela foi vítima de bullies na escola ao invés da rainha popular e linda que atraía todos os garotos como House cismou que ela deveria ser? Por quê ela considera que sua vida pessoal era tão ruim? Só devido a dificuldade dela em manter um relacionamento ou algo mais?
Só muito depois de ter assistido o episódio eu fiquei com essa teoria em mente. E me pareceu tão óbvio, mas eu estou apenas tentando adivinhar, como House. Natalie não seria a Cuddy adolescente, mas a Cuddy atual. Ela é sozinha, mas é bem-sucedida. Ela confia nas pessoas, mas é decepcionada e traída repetidamente. E o mais importante, Natalie namorou Simon, que a maltratava, mas secretamente gostava dela; que na frente dos outros era um cretino, mas que na intimidade, ela via o verdadeiro. Soa como o relacionamento de alguém conhecido por todos nós?
Durante todo esse episódio nós temos uma espécie de continuação do que eles estavam fazendo em “Let Them Eat Cake”. Cuddy saiu do escritório de House, mas ela agora está presente todo o tempo na sala de diagnósticos, participando, e quer isso o perturbe ou não, ele está determinado a manter os jogos acontecendo com ela. É claro que ela é boa, joga quase tão bem quanto ele, e as pequenas discussões falham tão miseravelmente em seu objetivo, que é expor a vulnerabilidade do outro, que parece até coisa de adolescentes. Mas como eu já mencionei, Cuddy se importa com Natalie e ela se esforça com aquela obsessão que tem faltado a House ultimamente, e em um momento de epifania, descobre qual é a doença da garota. Algo que ela só poderia ter se tivesse estado grávida. E depois da confirmação de Natalie, lá vai Cuddy procurar o corpo do bebê.
Por um momento, eu achei que algo de muito ruim fosse acontecer com ela. E não entendi o porquê de ela ir procurar o cadáver da criança até ficar claro que os roteiristas não a tinham posto ali para isso. Com meu alívio de ver que o cara que inicialmente a ameaçara era inofensivo, eu passei a me preocupar com a possibilidade de Cuddy, em posse de uma criança que todos acreditavam estar morta, fizesse uma besteira guiada por seu desespero em ser mãe (e pelo fato de que Natalie morreria de qualquer maneira). Mas ela fez a coisa certa, levou a criança de volta, e foi recompensada por isso. Não só ficou com a menininha, mas também recebeu de House aquele pequeno gesto de gentileza que eu não achei que ele fosse direcionar a ela tão cedo.
Ele já tinha sido gentil o suficiente, e eu achei que ele fosse fazer o quê sempre faz: dizer ou fazer algo cruel, para evitar que ela fosse machucada de forma pior no futuro (ou assim ele entende). Mas aquele foi um outro House: um que apoia ao invés de zombar, aquele que Wilson não acredita ser possível, mas que eu acredito existir, e acho que nós já vimos bastante dele, quando Stacy ainda estava no show (ele não era gentil o tempo todo, mas era, e bem mais do quê o normal).
E para provar a Wilson que ele podia ser essa pessoa (já que Wilson jamais veria a cena entre ele e Cuddy), House foi bonzinho com seus pacientes da clínica até que o primeiro trouxa ficasse tão agradecido que lhe fornecesse as provas para ganhar a aposta que fez com o melhor amigo. Adorei toda a trama da mulher que teria engravidado mesmo sendo virgem, mas o quê me fez rolar de tanto rir mesmo foi a cena em quê a mulher usa a bombinha de asma como se fosse um perfume, aplicando o remédio no pescoço. E ainda pergunta a House se ele pensa que ela é idiota! Duh.
Taub e Kutner também tiveram participação na comédia do episódio, mais uma vez. Dessa vez, eles foram investigar sobre um presente que House teria ganho. O quê foi Wilson contando aquela estória sobre Irene Adler? Mesmo quando aparece pouco, Robert Sean Leonard dá um show. Só não foi melhor que Taub colocando House contra a parede sobre ele ter sentimentos em relação a Cuddy. É claro que em se tratando de atuações, porém, o episódio pertence mais uma vez a Lisa Edelstein. Laurie também estava sensacional, como sempre, mas me pareceu que o texto dele foi escrito, em grande parte, para que ele pudesse divertir-se, enquanto a carga dramática ficou em cima de Edesltein.
Acho que House finalmente está sendo aquela série com a qual nos acostumamos nos últimos quatro anos. Os dois últimos episódios foram excelentes, e não vejo razão para a qualidade cair.

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Os episódios mais dramáticos de House são geralmente sensacionais, e quase sempre entram na lista de muita gente de melhores episódios da série e até em listas de melhores entre todos os seriados. Eu geralmente amo esses episódios. Mas eu, muitas vezes, também amo episódios como The Itch, que depois de um tempo são quase ignorados. Episódios mais suaves, cheios de esperança.
Depois do beijo, vimos agora as reações. Wilson descobriu e tentou bancar o cupido. House resistiu de um lado, Cuddy resistiu do outro, e nada aconteceu. Os dois tinham boas razões, mas quem liga pra isso? Eu iria adorar vê-los juntos e seria uma grande revolução na série. E o jogo de gato e rato me deu pena do Wilson. Ele tinha uma idéia, mas Cuddy logo descobria quais eram as verdadeiras intenções e House saía pela tangente daquele jeito eficiente que só ele possui. Foi, todavia, hilário.
O paciente da semana foi um homem que tinha medo do mundo, que não saía, e que não conseguia deixar as pessoas entrarem. Apesar de ser óbvia, a metáfora é bastante válida. House não consegue se abrir para o mundo e não consegue realmente mergulhar fundo nele, e Cuddy tenta, mas nunca dá certo. Eles são pessoas traumatizadas, e são sozinhos. Então, acho honesto confessar que esse episódio me deixou com uma baita coceira. Uma coceira de vontade de ver essas duas pessoas ficarem juntas. Principalmente depois do discurso do House para o paciente, quando ele o chama de covarde e diz: “Você quer mudar sua vida, faço algo. Não acredite nas suas próprias racionalizações. Não se prenda, fingindo que é feliz”. A dificuldade é ele seguir o próprio conselho. O paciente enfrentou o medo, mas ele não conseguiu. Foi até a casa de Cuddy e se acovardou no último minuto. A minha dúvida é: acabou ou eles vão desenvolver tudo devagar durante a temporada? Se for o primeiro, eu não vou ficar não feliz, afinal, não precisava provocar com esses dois últimos episódios e deixar uma lunática como eu cheia de esperanças, né?
Outro ponto alto do episódio foi a presença constante de Cameron e Chase. Os dois estavam tão sumidos, e eu sentia tanta falta. Foi como nos velhos tempos. Adorei. E adorei ver como os relacionamento dos dois progrediu. Cameron também era uma pessoa cheia de receios, traumatizada pela perda do marido e às vezes, na série, ela parecia estagnada. E é triste que agora que ela está crescendo e mudando agente não esteja vendo. Às vezes eu queria que os produtores mudassem de idéia e tudo voltasse a ser como era antes, com a equipe antiga. House não é o único que gostaria que a vida continuasse igual.

Com todas as séries teens que eu tenho assistido, cheias de melodrama que não me causam nenhum impacto, é surpreendente que seja uma série como House que teime em me tirar lágrimas (tá, eu sei que é cruel comparar). Eu sempre gostei muito dos relacionamentos de House. Do trio House, Wilson e Cuddy, para ser mais exata. A relação desses três uns com outros sempre foi um tanto disfuncional, complicada, tumultuosa, e cheia de sutilezas. São complexas no sentido inteiro da palavra, e é particularmente uma das coisas que sempre me atraiu mais em House.
Então, nem é preciso dizer que essa Season Premiere foi um prato cheio pra min. O pobre House é um aleijado social (não é para ser um trocadilho de mal gosto, juro) e vê-lo puxando e empurrando seus limites de todas as maneiras para conseguir manter por perto seu único amigo foi ao mesmo tempo triste e extremamente delicioso de assistir. Mas aquela última cena me deixou arrasada. Wilson vai sair? House vai perder mesmo seu único amigo?
A paciente da semana também mostrou a que veio. Adorei ela. E acho que ela tem razão, você pode sempre aspirar a tudo (e na minha opinião, pode além de aspirar, tentar conseguir), mas não somos todos iguais, cada um nasce com um potencial, e para cada House, tem milhares de pessoas que apesar de dedicadas, competentes, jamais serão brilhantes. Podemos passar a vida toda tentando ser algo mais, ou podemos aproveitar o máximo a vida nos limites das nossas potencialidades. E eu acho que nenhuma das duas maneiras está equivocada.
O quê me leva de volta a Wilson. Eu posso apenas imaginar o quê seja o luto por uma pessoa que se amava. Nunca perdi ninguém desta categoria, ainda. Ele poderia ficar no hospital e tentar fazer o melhor que pudesse com sua existência pós-Amber. Ou ele pode ir embora e ver o quê mais existe para ele no mundo, mesmo que na realidade, não exista mais nada e tudo vá ser igual, ou pior, já que pelo menos no hospital ele tinha pessoas que se importavam, mesmo que essas pessoas tivessem seus próprios interesses em sua permanência. O quê é difícil julgar, porquê é difícil não ser egoísta. Quantas vezes eu já não pensei nas pessoas próximas dando valor a elas pelo papel que elas exercem na minha vida? Por elas me divertirem, ou me ouvirem? Só 90% do tempo… Até onde eu sei, esse é um dos principais significados da vida. Significar algo, para alguém.


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luiz augusto em The Day of the Triffids
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