Séries Addict

Archive for outubro 2008

Eu tenho lutado há semanas para encontrar as palavras certas para falar de Fringe. E finalmente encontrei uma: segurança. Não sua existência em si própria, mas como um sentimento, e então, quando ele é retirado de você abruptamente e você acorda em mundo estranho e perigoso. Ou é o mesmo mundo?
Eu acho que não é. É um mundo quando você tem uma carreira de sucesso, com um trabalho que conhece bem, que faz brilhantemente e do qual gosta; quando você tem uma pessoa que ama e quer cuidar de você deitado na sua cama; quando sua maior preocupação é quê seu chefe possa descobrir seu caso com um colega de trabalho. Você se sente seguro, e de certa maneira, não está mesmo?
Mas então seu namorado é um traidor, você tem que trabalhar com fenômenos inexplicáveis, um cientista instável especializado em ciência de borda (Fringe Science) e seu filho também não muito confiável. Você definitivamente está voando sem a rede de segurança. E você não é o único.
A principal sensação que eu tenho quando assisto Fringe é essa: de que eu entrei em um mundo onde não se tem segurança. Não apenas em relação aos perigos obscuros que aguardam nossos três heróis (ou heroina e anti-heróis, ou quaisquer outras combinações de estereótipos que vocês preferirem que possa constituir uma referência curta e rápida aos três protagonistas) Olivia (Anna Torv), Peter (Joshua Jakson) e Walter Bishop (John Noble), mas em relação a uma salvaguarda psicológica também. Como a mente a sobrevive a uma reviravolta de tamanha dimensão? Eu, particularmente, ficaria paranóica bem rápido.
Porém é sempre bom assistir a esse outro mundo, esse mundo de sombras na televisão. Fringe, em sua retratação desse mundo, é muito boa. Em sua retratação dos conflitos humanos diante desse novo mundo acho que ela ainda anda a passos lentos, mas não acho que seja nada que prejudique muito a série nesse momento, em que ela acumula míseros quatro episódios e tem uma temporada inteira garantida pela frente. As atuações me agradaram no começo e depois passaram a me incomodar, mas isso talvez seja problema meu. Do roteiro, da direção intimista, da fotografia e da trilha sonora eu gosto muito, o quê deixa a série bem cotada comigo em termos técnicos. E quando eu coloco a lista de séries de terça no meu torrent e alinho os downloads por prioridade, Fringe fica atrás apenas de House. A série pode não chegar aos pés de Alias ou LOST, mas me agrada, e muito.

Duas traqueostomias em dois episódios? Seriously? Se tem algo que me mata em qualquer série médica, são os malditos procedimentos. Eu tenho verdadeiro pânico deles. Porém, a parte médica não importa tanto em House (para min pelo menos). Apesar de eu ter aprendido muitas coisas com House, a parte que sempre me comoveu na série foram os relacionamentos interpessoais e o começo dessa quinta temporada tem sido bastante rico nesse sentido.
Wilson parece mesmo estar deixando a série (se não estiver, me desculpem, mas não leio spoilers de House, isso é sagrado). Ele mal aparece no segundo episódio e no terceiro, sequer contamos com sua presença. E a verdade é que apesar de sempre ter amado o Wilson, ele não me fez falta. O motivo disso é obviamente a chegada do detetive Lucas, que entre outras coisas, tem com House aquelas longas conversas de que ele precisa para reafirmar seus princípios e escolhas em voz alta. Michael Weston e Hugh Laurie tem funcionado como uma máquina, a química de cena é incrível e os diálogos são de primeira categoria.
Além disso a presença do detetive também serve para que House possa desenterrar todos os segredos de seus pupilos (e suas famílias) e perturbá-los bastante enquanto estes tentam trabalhar. E como se não fosse o suficiente, ele começa a gostar de Cuddy e ela está gostando de volta! É incrível como nem House (por motivos óbvios), nem Wilson, nem Cuddy tem uma vida pessoal muito boa. Wilson conseguiu criar algo bom com Amber e ela morreu. Se eu fosse ele, iria querer partir também. Os pupilos ainda tem uma vida pessoal e social, mas os chefes do Princeton Plainsboro tem uma vida cujo foco é a carreira; tudo gira em torno daquele hospital. Adorei a idéia de ver Cuddy namorando e com alguém que não sairá correndo se House aparecer de repente no meio de um encontro e ficar pentelhando. Mas que eu quero vê-lo tentar infernizar os dois, eu quero.
Como se tudo isso não fosse suficiente, a presença de Lucas ainda nos revelou que House foi um líder de torcidas na faculdade! Pena que Cuddy não acreditou que pudesse ser verdade. Quantas piadas não poderiam ser criadas?

Um fator que sempre contribuiu para que eu amasse Blair nos livros é que ela é um tanto atormentada. Não é nada comparável as grandes tragédias da antigüidade ou às grandes tragédias teen contemporâneas, ninguém próximo dela morreu e ela não matou ninguém (embora ela tenha chegado a roubar uma calça de cashmere de uma boutique de luxo para Nate em momento de desespero), são as pequenas coisas. Ela é negligenciada, provocada, humilhada e tudo o quê ela batalha para conseguir geralmente falha, e para piorar a situação, é conseguido logo em seguida por Serena sem esforço nenhum, e a loura faz questão de deixar claro que tudo não passou de acidente cósmico que conspira para que ela brilhe. Por isso é com muito prazer que eu vejo essa trama sendo introduzida na série.
Sim, é angustiante a às vezes extremamente irritante ver a Blair sendo tão ferrada e a Serena sendo tão agraciada pelos Deuses, mas é um antagonismo ótimo, e que cria sempre ótimas tramas. E Serena boazinha é tão chata, que eu sentirei pela pobre Blair cada minuto que a loura infernizá-la, mas torcendo ao mesmo tempo para ver mais. Ainda mais porquê a Blair da série não vai deixar Serena tratá-la como lixo e ignorar, ela partirá para briga e agora ela aparentemente conta com uma aliada, Jenny. Adorei ver como a união das duas se deu e adorei a explicação de Jenny para Blair, que condiz com tudo o quê eu disse acima. As duas podem dar muitos passos errados, mentir, manipular, tramar, mas elas tem um objetivo e elas correm atrás, só para no final serem passadas para traz por uma Serena ou Poppy da vida, que tem tudo no colo. Acho melhor Serena tomar cuidado, porquê ela pode ser a Rainha agora, mas Blair e Jenny juntas são verdadeiras déspotas.
Uma alianças também improvável e interessante foi a de Dan Humphrey com Chuck Bass. Pena que durou tão pouco. E é impressão minha, ou todos os Upper East Siders irão para Yale? No livro Serena e Nate entram, enquanto Blair sofre um tempo na lista de espera e tem que suar mais um pouquinho para entrar, mas os outros vão para cantos totalmente diferentes. E Jenny? Será que ela irá para o internato? Isso seria muito chato, mas não está parecendo que ela ficará na Constance, já que ela deixou bem claro para o pai que não volta. O quê acontece é que com ela e Eric sendo dois anos mais novos que todo mundo, e os personagens principais tendo que ir para a faculdade, vai ser complicado mantê-los conectados com a trama, mesmo com Jenny trabalhando para Eleanor Waldorf.
No núcleo adulto descobrimos que Lily tirou uma foto nua. Concordo com a Serena que a Lily é a mãe mais cool do Upper East Side. Pena que Bart voltou e acabou com os planos dela de ser descolada, deu um daqueles discursos sobre discrição e deixou no ar algo sobre um segredo tão sórdido que Lily prefere manter enterrado. É impressão minha, ou isso foi meio que uma chantagem?
Esse episódio de Gossip Girl pode não ter sido tão empolgante quanto o da semana passada, mas foi ótimo e a série parece estar perfeitamente sintonizada com a identidade que encontrou.


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