Séries Addict

Archive for janeiro 2009

Jughead é obviamente o The Economist dessa temporada. Um ótimo terceiro episódio, muito mais agradável e intrigante que a estréia, e que vai parecer ser brilhante, até os episódios realmente brilhantes começarem a aparecer e eu me dar conta de que apesar de ser ótimo, o episódio não chega a ter aquela grandiosidade, aquele fator assombro. É, porém, uma pequena pérola que eu duvido que eu vá deixar de apreciar com o tempo, senão por outros motivos, pelo menos porquê dá tanto destaque a alguns dos meus personagens favoritos, e que eu sempre acho que não tem tempo de tela o suficiente, ou quê não são aproveitados da melhor maneira: Juliet, Sawyer, Desmond (tá, Desmond é sempre muito importante, mas eu acho que ele aparece pouco considerando o quão relevante ele é), Penny e Richard.
E como o episódio começa com o nascimento do filho do casal Hume, Charlie (que essa pessoa lerda que vos fala só se tocou que era em homenagem a Charlie Pace quando leu em outro site), eu vou falar deles primeiro. Eu adorei a reação do casal. É a reação que eu esperava de algum Oceanic 6, mas que nunca veio, e que foi sempre o meu motivo maior de frustração com eles (especialmente Jack e Kate). Penny e Desmond não levantaram da cama após o sonho do Brotha e resolveram voltar correndo para Ilha. Mas assim que Desmond descobre que as pessoas que ficaram para trás estão correndo perigo, os dois parecem extremamente preocupados (apesar de Desmond sequer ser muito próximo dos quê ficaram) e genuinamente dedicados a fazer o quê estiver ao seu alcance, mesmo que seja perigoso, para ajudar.
Para isso, os dois desembarcam na Grã-Bretanha e Desmond segue a trilha de mãe de Faraday, até localizá-la, com a ajuda de seu sogro, em Los Angeles. Acho que não resta mais nenhuma dúvida de que Faraday é filho de Ms. Hawking. O quê gosto tanto nessa parte da trama, é que talvez por ser trabalhada em uma cidade comum, cheia de gente comum, e não na Ilha, que é um lugar tão obviamente fantasioso que só poderia residir na ficção, eu fico arrepiada pensando nas coisas que acontecem bem debaixo do nosso nariz e nós não percebemos.
Pode até não haver nenhum Daniel Faraday experimentando com viagens no tempo na mente das pessoas nesse exato momento, em algum lugar do globo, mas eu duvido muito que com o dinheiro de gente como Charles Widmore não aconteçam todo o tipo de experimentações clandestinas e obscuras, que se um dia chegassem ao nosso conhecimento provavelmente até passariam despercebidas. Assim como o loop temporal em que a pobre Theresa Spencer se encontra presa muito provavelmente devido a ter servido de cobaia humana para Faraday, passa por algum tipo de insanidade.
Na Ilha, continuamos de onde paramos. Charlotte, Miles e Daniel são capturados, e Juliet, Sawyer e John tem em custódia os caras que queriam cortar a mão da Juliet (e eu peço desculpas a Gi. Pensei que eles fossem Dharma, mas obviamente os Hostis também usavam macacões cáqui horrendos). Com isso descobrimos que um dos requerimentos básicos para ser um outro é saber Latim e por isso Juliet o fala fluentemente (isso bem que poderia ser útil mais na frente, quando eles explorarem o passado da Ilha e as histórias do templo e a estátua de quatro dedos). Adorei também ela convencendo com certa facilidade um dos prisioneiros a lhe dizer onde ficava o acampamento dos Outros. Sinto falta de vê-la levando qualquer um na conversa, no estilo Ben Linus.

Eu ainda sou uma forte defensora do Team Juliet e não consigo deixar de torcer para vê-la dar a volta por cima, depois de ser completamente deixada de lado na temporada passada. Sawyer sendo o outro personagem pelo qual eu tenho os mesmos sentimentos. Ele pode até não ter feito nada demais até agora, mas eu me contento em vê-lo ser o alívio cômico, além de colírio para os olhos, é claro. As tiradas dele sempre são incríveis, a química de Josh Holloway com Elizabeth Mitchell não poderia ser melhor e os dois devem mesmo ser os líderes, heróis e defensores dos fracos e oprimidos nessa temporada. É claro que torço para que Juliet ainda consiga trazer algumas novas revelações sobre os Outros à tona, mas já fica claro que as revelações bombásticas devem cercar é Faraday mesmo.
Eu não gosto muito de Jeremy Davies, mas é inegável que Daniel tomou a frente da trama e deve ser aquele que puxa o fio da meada até pelo menos o final desse quinto ano. Tudo bem que ele não faz praticamente nada em Jughead, mas vejam quantos mistérios já o cercam. Vários blogs já apontam que a loura que o captura, Ellie, pode ser sua mãe, já que o nome desta seria Eloise (o quê seria extremamente interessante). E é claro, na Inglaterra, Desmond descobre que a pesquisa de Faraday foi financiada por mais de dez anos por ninguém menos que Charles Widmore. E que depois do quê aconteceu com Theresa, ele fugiu para os Estados Unidos, onde não coincidentemente, é onde também está sua mãe. Eu me lembrei daquela cena em Confirmed Dead onde ele aparece chorando ao assistir as notícias sobre o vôo 815 e tem uma mulher que não vemos ao fundo, e depois de saber tudo o quê sabemos agora, eu estou mais intrigada que nunca.
É claro que a mulher pode ser a mãe dele (ou não), mas porquê Daniel ficou tão abalado com as notícias sobre o avião da Oceanic? Ele está envolvido com Widmore, o autor da farsa, então alguma coisa ele deveria saber. Mas ainda não faz sentido algum para mim. Poderia aquele Daniel já ter estado no futuro, na Ilha?
Não seria algo impossível já que em Jughead também descobrimos que a visita que Richard faz a Locke quando ele nasce na verdade é motivada pela aparição de John no acampamento dele, dois anos antes, clamando ser o líder deles mandado por Jacob. E o engraçado é que Locke deixa com ele a bússola que Richard usa para testá-lo no futuro (obviamente esperando que o seu líder instintivamente escolha aquele objeto tão significativo na relação dos dois).


E seguindo a regra de quê o melhor fica para o final, somos levados á informação de que o líder do grupo de jovens que atacou Sawyer e Juliet em The Lie era ninguém menos que Charles Widmore. Eu fiquei chocada, é claro. Widmore era um Outro, a mãe de Faraday pode ter sido uma Outra, francamente, até onde agente sabe, Christian Shepard e Mr. Paik poderiam ser Outros. Eu não duvido de mais nada. O quê me interessa mesmo saber, é como Widmore deixou de ser um Outro e foi parar no lado de fora, e se for mesmo o caso das especulações, Eloise Hawking também? Pela própria resposta de Richard ao pedido de John para lhe explicar como sair da Ilha (sem mencionar a política de Ben, que também não dava a informação a não ser que fosse extremamente necessário aos seus planos), sair da Ilha é um privilégio. Então ou Widmore também moveu a roda de burro, ou ele quis sair e mereceu sair. Do contrário, por quê eles não simplesmente o mataram como mataram tantos outros?
E qual é a relação de Widmore com Benjamin Linus (que só chegou a Ilha pelo menos 15 anos depois)? Quais eram as regras estabelecidas entre eles? Seja lá o quê for, Widmore está preocupado com a segurança de sua filha, e infelizmente, ela está indo em direção justamente ao homem que deseja matá-la. E geralmente eu fico do lado de Ben, mesmo quando ele manipula, mente e faz suas maldades, mas Desmond e Penny são sagrados. Se ele matá-la, eu vou odiá-lo com todas as forças.

Eu confesso que existe apenas uma razão pela qual eu estava extremamente ansiosa para ver Trust Me: Eric McCormack. E entre a certeza absoluta de que eu conferiria esse novo trabalho do Will de Will&Grace e a longa lista de séries para ver e escrever sobre, eu não cheguei sequer a procurar qualquer informação sobre essa nova série da TNT. Eu não sabia que ela estrearia tão cedo, não sabia que ela seria uma espécie de Mad Men moderna (e muito menos tediosa), ou que seria estralada por Tom Cavanagh (que tem uma face familiar, mas eu não reconheci nenhum trabalho que eu tenha assistido na filmografia dele), Monica Potter (Boston Legal) e Sarah Clarke (a Nina Meyers!). E talvez seja por eu não ter feito a mínima idéia do quê esperar, que o piloto me conquistou.
É claro que o roteiro, como o de qualquer piloto, é um pouco esquemático. Tem um conflito, mas tudo é resolvido no final, e assim podemos seguir em frente com a rotina um pouco alterada pelos eventos aqui retratados. Porém, se a série conseguir fugir do esquemático daqui para frente, ela tem tudo para ser ótima.
Trust Me traz Mason McGuire (McCormack) e Conner (Cavanagh) como dois parceiros criativos em uma firma de publicidade. E aí já temos o primeiro grande acerto de Trust Me: a química entre McCormack e Cavanagh. Os dois estão em perfeita sintonia, mesmo quando brigam, e você consegue acreditar que os dois de fato são próximos há sete anos, se conhecem intimamente e não conseguem viver um sem o outro.
Todavia, o chefe dos dois Stu Hoffman, interpretado por Jason O’Mara (In Justice, Men in Trees, Life on Mars), depois de ter um ataque de raiva, acaba tendo um ataque cardíaco em sua sala. Apesar de Stu e sua morte serem muletas para criar o principal conflito dramático do episódio, O’Mara nos rende alguns minutos divertidíssimos como o chefe excessivamente arrogante que tem um ataque de fúria quando o cliente rejeita sua campanha. E com a morte de Hoffman, Mason é promovido, deixando Conner com inveja e fazendo os dois brigarem.
É uma storyline relativamente simples e não muito criativa, é verdade. Mas o episódio se sustenta muito bem nos diálogos, na direção e no afiado elenco (e Sarah Clarke mal apareceu e nada falou até agora). Além dos protagonistas, Monica Potter também está excelente como Sarah Krajicek-Hunter, a nova sócia que cai de pára-quedas no meio da agência, contratada por Stu apenas para ser quem encontra o corpo dele algumas horas depois.
Trust Me tem um timing cômico que funciona. E eu simpatizei com ela de cara. O quê provavelmente quer dizer que eu estarei acompanhando cada passo dos publicitários até o final dessa temporada. E definitivamente significa que estou esperando ansiosamente pelo próximo episódio.

House tem tido uma temporada extremamente irregular e infelizmente, até aqui, já no seu décimo terceiro episódio, a quinta temporada não nos brindou com nenhum episódio absolutamente embasbacador, com uma daquelas pequenas obras-primas como 97 Seconds e Euphoria. Big Baby não chega lá, mas é um episódio tão bom, que me dá esperanças.
Partindo do ótimo gancho deixado por Painless, em Big Baby já vemos Cameron assumindo as funções de Cuddy para que esta possa ficar em casa com Rachel. O quê significa que a ex-pupila de House ganha a autoridade para ditar o quê ele pode ou não pode fazer. Eu nunca fui muito fã da Cameron, mas sinto uma falta tremenda dela e adorei cada minuto a que Jennifer Morrison teve direito nesse episódio. Cameron conhece muito bem House e fez um ótimo trabalho contornando as tentativas de manipulação dele e mantendo ele na linha. Por mais que eu seja fã de Cuddy e entenda que o relacionamento dela com House é singular, Cameron conseguiu ser até melhor que ela lidando que o médico e suas exigências absurdas por testes mais absurdos ainda.
A paciente em questão era uma professora de crianças com necessidades especiais, e é claro que logo que House a ouviu falando por cinco minutos e percebeu como ela aceitava maravilhosamente bem todas as coisas irritantes que vêm com aquelas crianças (e o fato de quê ela inverteu dois números há seis anos atrás), ele conclui que ela tem que ter dano cerebral. Apesar da personagem em si, Sarah, não ser extremamente interessante, as disputas de poder que aconteceram em torno do tratamento dela foram. Além de House e Cameron, ainda tivemos Cameron e Cuddy, que apesar de tudo não conseguia parar de se preocupar com House, e House e Kutner, que enfrentou Greg como Foreman costumava fazer. E no fim, eu fiquei extremamente feliz que Sarah tenha continuado a ser a professora amorosa e extremamente tolerante, para incompreensão de House.
Cuddy e Wilson apesar de não estarem envolvidos na trama principal, também apareceram bastante, e a storyline deles na verdade foi a minha favorita. Toda essa coisa da adoção de Cuddy realmente aconteceu bastante rápido, então eu apreciei que eles tenham mostrado tudo isso que caiu no colo dela finalmente a atingindo e a deixando desnorteada com dúvidas e medos. A conexão com o bebê não simplesmente aconteceu, não havia amor, ou felicidade. Só cansaço e frustração, e uma mulher decepcionada pelo fato de seu maior sonho, o de ser mãe, não ser mágico ou sublime de nenhuma maneira. As confissões dela para Wilson soaram reais e naturais, e Lisa Edelstein mais uma vez esteve magnifíca.
Robert Sean Leonard também fez muito bem a sua parte e trouxe de volta toda a fofura do personagem, que tentava a todo custo convenver Cuddy de quê eventualmente ela amaria o bebê e que não deveria dar ouvidos a House sobre devolver a criança. Eu adoro quando colcocam a amizade dos dois em foco e aqui foi um daqueles momentos preciosos na série. Contudo, as grandes cenas desse episódio são duas: quando House e Cameron abrem a cabeça da paciente, e Kutner liga para Cuddy e a põe no viva-voz para dar uma bronca nos dois, o quê acaba fazendo com que todo mundo ouça seu quase-colapso nervoso por não conseguir acalentar Rachel, seguida por seu espanto e alívio quando esta simplesmente pára de chorar, finalmente quebrando a barreira de gelo que havia entre as duas, e de irritando a paciente o suficiente para House perceber que seu diagnóstico estava completamente equivocado; e logo depois quando Cuddy, agora maravilhada em ser mãe, encontra House no seu escritório e faz ele segurar a pequena Rachel, que acaba vomitando em cima dele. Enquanto a primeira cena prima pela tensão e pelo caos, a segunda é de uma delicadeza ímpar. Banhados por uma luz que já cria um clima íntimo e acolhedor, Edelstein e Laurie são capazes de exprimir uma proximidade inigualável. As expressões no rosto de cada um são primorosas, e me convenceram completamente de quê apesar de tudo, House seria de fato a primeira pessoa que Cuddy procuraria para simplesmente dividir sua fecilidade. Eu acho que foi extremamente justo que Hugh tenha ganho o SAG, e acho que se Edesltein não for indicada ao Emmy em Setembro será uma grande injustiça.
A única coisa que não me agradou em relação a esse episódio foi que eles terminaram os dois arcos mais interessantes, Cuddy não conseguindo sentir nada pela filha e Cameron como chefe do hospital, e simplesmente terminaram de maneira rápida demais. As storyline tinham potencial e a de Cameron especialmente pareceu sem justificativa, porquê ela não se saiu mal controlando House. Sim, ela deixou que House abrisse a cabeça da paciente e no final, não havia necessidade daquilo, mas Cuddy, apesar das reclamações, teria feito a mesma coisa. Só espero que Morrison não volte a desaparecer e que Cuddy e Wilson continuem a ter o espaço que merecem. Que venha o centésimo episódio.


Fechando o arco de três episódios que se iniciou com o retorno do hiato, Grey’s Anatomy nos presenteia com o melhor episódio dessa temporada, cujo nível foi tão alto que pode ser comparado aos melhores momentos da série, durante sua fantástica segunda temporada. Stairway to Heaven é tão cativante, que até me fez esquecer que essa temporada de Grey’s tem sido a mais irregular de todos os tempos, com algumas tramas beirando ao sofrível.
Jackson, o menino que precisava de um transplante e William, o serial killer que vai parar sob os cuidados de Shepard, foram ótimos pacientes e trouxeram aquelas questões éticas e morais deliciosamente complicadas que eu adoro. A nova médica, Arizona Robbins, trouxe um frescor a série que nem a Doutora Dixon, nem Sadie, nem Owen Hunt conseguiram trazer.
Enquanto isso, Miranda Bailey, que estava completamente apagada nessa temporada, voltou a ser a estrela e maior destaque. Ela lutou bravamente por Jackson, fez tudo o quê podia fazer e até mesmo o quê não deveria fazer, e foi humana durante todo o tempo. Birgou com Arizona, chorou, saiu do quarto para não ter que ver o menino morrer, e mais importante, foi a competentíssima médica de sempre e ajudou a Doutora Robbins a manter Jackson vivo. Chandra Wilson fez um trabalho notável e me angustiou e emocionou durante cada momento em que esteve na tela.
Já Meredith tentava, da sua maneira, fazer o quê achava certo. E nesse caso, era não apenas salvar Jackson com os órgãos, mas demonstrar compaixão por William e deixar que ele morresse de maneira digna, mesmo que isso significasse quebrar as regras e ir contra Derek. Eu fico extremamente feliz que essa trama não foi usada para que os dois brigassem e se separassem novamente. E que os escritores também não preferiram a saída fácil e fizeram com quê William morresse pela injeção letal. Eu fiquei do lado de Meredith o tempo todo durante esse arco e entendi completamente o quê ela estava fazendo.
William fez coisas horríveis, mas é fácil pensar como Derek. Que existem mosntros como William, e existem pessoas normais como Shepard. Mas eu não consigo não pensar como Meredith: qualquer um pode fazer qualquer coisa, e pessoas que cometem atos assombrosos ainda são pessoas. Humanas, com defeitos, qualidades, vulnerabilidades e medos. Quando eu vi Meredith naquela execução, eu fiquei contente. Porquê acho que eu faria exatamente a mesma coisa.
Ellen Pompeo atuou melhor do que eu jamais vi. Ela esteve fantástica e merece exaltações. Seu parceiro de cena, Eric Stoltz também chegou ao auge de sua participação, que será inesuqecível para mim.
Paralelamente, tivemos Izzie lidando com Denny, e os rumores de que a personagem estaria doente se confirmaram. Mesmo essa explicação final não me deixou muito satisfeita. Mas eu só tenho a agradecer que finalmente deixaram o Jeffrey Dean Morgan partir. Ele é lindo, mas a coisa toda foi no mínimo bizarra. E teve a Lexie quebrando o pênis do Sloan, mas eu achei essa parte completamente apagada e sem graça, o quê é uma surpresa, porquê até aqui qualquer mero suspiro do Sloan conseguia ser a melhor coisa do episódio.
O próximo episódio é o crossover com Private Practice. Depois desse episódio maravilhoso e com a volta de Addie, eu estou delirando de expectativa. Espero não me decepcionar.

Em certa altura de Bloodline, um dos UNSUBS, no exato momento em que é preso por Morgan, relembra como na antigüidade os guerreiros invadiam cidades, matavam homens, mulheres e meninos, mas ficavam com as garotas. Na época, era uma tática de sobrevivência que permitia que aqueles homens perpetuassem suas linhagens de alguma maneira.
Bloodline aborda um crime de essência semelhante. Aqui a questão já não é mais a sobrevivência, mas a tradição. Porém, o quê somos nós enquanto sociedade se não ritualistas? Nós todos acreditamos que nós entendemos como funciona o mundo e que passamos para frente os mecanismos que consideramos essenciais a nossa existência. Por isso, Bloodline não é somente sobre um crime. É sobre uma sociedade atacando o modo de vida da outra; sobre uma sociedade se defendendo da outra. É sobre a segurança que todo ser humano procura, e que geralmente encontra naquilo que é comum a seus semelhantes. Bloodline é um daqueles episódios que me faz questionar e refletir. Mesmo que sua abordagem não seja macro, mas feita através do olhar dos agentes da BAU que voam para o Alabama para encontrar uma garotinha de 10 anos, raptada oito horas antes.
Os responsáveis, uma família cujo filho tem idade semelhante a da menina raptada e cuja mãe também havia sido raptada, como a menina, muitos anos antes e transformada em esposa e mãe. O roteiro é simplesmente brilhante. Para aquele grupo de pessoas, aquela micro-sociedade, levar sua existência tal como eles aprenderam e acreditam ser sagrado, eles atacam o nosso modo de vida, roubando meninas da nossa sociedade e transformando-as neles. Nós nos defendemos e ao mesmo tempo, contra atacamos, os punindo por fazerem aquilo que na nossa sociedade é contra-lei. E como defesa, eles se fecham em silêncio e protegem seus “irmãos”. Em essência, é um guerra de costumes.

O episódio também apresenta a questão da Síndrome de Estocolmo: adapte-se ou morra. Eu já acho que é uma questão mais complexa: fique isolado dentro de uma única maneira de pensar, tendo acesso a apenas um tipo de ideologia, e é difícil qualquer pessoa questionar qualquer coisa. E não é só algo que aconteça com pessoas em cativeiro. Na verdade é incrível como mesmo pessoas que tem contato com outros tipos de idéia, seja através de outras pessoas ou através dos meios de comunicação de massa, às vezes mantêm uma mesma maneira de pensar a vida toda, e não conseguem entender outros pontos de vista de maneira alguma.
O crime afeta Todd desde o começo e já nos primeiros minutos eu percebi que ela teria outra das crises dela. É fato que a personagem foi posta ali para nos mostrar o quanto o trabalho na BAU é difícil. No final, quando ela diz a Hotch que espera que ele dê o devido valor a JJ, eu meio que senti como se fosse uma mensagem dos produtores para nós telespectadores. E mesmo que não seja, é algo que aconteceu comigo. Eu nunca dei nada por JJ, mas senti falta dela e fico feliz que ela estará de volta já no próximo episódio. Infelizmente Jordan me pareceu emocional demais e competente de menos. E eu nunca cheguei a gostar da Meta Golding, o quê significa que a partida dela não tem nenhum efeito em mim.

Outra constatação que Jordan faz (e que é muito óbvia, porquê é algo que qualquer fã da série consegue dizer) é que o time da BAU é uma família, e que uma família acaba incorporando os traços mais marcantes de seu líder. Foi impressão minha ou isso soou como uma acusação partindo de Todd de que o resto do time esconde suas emoções porquê Hotch o faz? Eles são super controlados sim, e como Rossi aponta bem, eles se escondem atrás da linguagem para não deixar os casos os atingirem de maneira muito dura, mas como Morgan responde de maneira perfeita, é a maneira que eles tem de se manterem objetivos e consequentemente, eficientes.
E o fato de eles serem frios e centrados não os torna menos humanos. Aliás, frieza e objetividade não faz de ninguém menos humano, da mesma maneira que excesso de emoção não torna a pessoa fraca (mas em alguns casos, a torna irritante para pessoas que não compartilham seu modo de se comportar, o quê eu sorrateiramente deixo como justificativa da minha completa desconsideração para com Jordan Todd). E Morgan, Reid, Prentiss, Rossi e até mesmo Hotch não são imunes ao sofrimento alheio em momento nenhum.
Pelo contrário. Nesse episódio, Hotch rapidamente empatizou com o pai ausente da primeira vítima de seqüestro, Cate Hale. E Thomas Gibson esteve absolutamente sensacional durante os quarenta e tantos minutos de projeção, mas alguns de seus melhores momentos são com o pai de Cate, especialmente quando ele lhe confidencia sobre não saber se seu filho Jack teria gostado de um presente de Natal dado por um de seus colegas (e meu curioso cérebro na hora começou a pensar sobre quem poderia ser o tal “colega” e como boa shipper que sou, eu espero que tenha sido Emily).


A cena só não superou a rotina tira bom/tira mau que ele faz com Prentiss para tentar abalar a seqüestradora/seqüestrada Kathy Gray. E Emily é perfeita para o papel de boazinha, porquê novamente ela é quem consegue lidar melhor e de maneira mais doce e calorosa com as vítimas. Prova disso é a fantástica cena da entrevista cognitiva em que ela interroga Cate. Paget Brewster e Adair Tishler (a Molly de Heroes) estão fantásticas, e tornam uma cena que já era bem feita em algo extraordinário.
Além deles, tem sempre Garcia e suas ótimas tiradas cômicas, que fazem tudo aquilo não parecer tão horrível pelos poucos segundinhos que ela fica na tela. E Kirsten Vangsness sempre merece menção por seu ótimo trabalho sobre um texto que é tão geek que não pode ser fácil de transpor para a tela da maneira engraçada e adorável que ela faz. Mas no geral, tirando Meta Golding, todo o elenco estava absolutamente afiado, incluindo os atores convidados Cynthia Gibb e Andrew Divoff (que coincidentemente interpreta o mais novo nêmesis de Horatio Caine em CSI Miami). O quê tornou a experiência de assistir Bloodline ainda mais gratificante.

Desperate Housewives: The Best Thing That Ever Could Have (5×13 – 100º episódio)
Exibição: 18/1/2009
MVP: Eva Longoria, Brenda Strong e Beau Bridges

O roteiro lembra os fantásticos episódios da primeira temporada. As atuações estão simplesmente perfeitas. Tivemos participações da sempre excelente Brenda Strong (Mary Alice), Steven Culp (Rex), Lucille Soong (Yao Lin) e Beau Bridges (Eli Scruggs), que, ao falecer repentinamente, faz com que as donas de casa tenham memórias de seu passado.

A idéia de um coadjuvante que nunca tínhamos conhecido ter sido tão relevante na vida de cada uma delas foi extremamente interessante e todos os flashbacks foram ótimos. Foi maravilhoso ver como Gaby acabou se tornando amiga das demais donas de casa; ver Bree, Rex, Tom e Lynette trocando farpas durante um brunch; ver Lynette tendo a epifania em que decide abandonar a carreira e dedicar-se inteiramente aos filhos; ver Edie tentando superar o soco em seu ego que foi descobrir que seu marido era gay; assistir Susan e seu desespero frente aos divórcios e, como o melhor sempre fica para o fim, presenciar um dos últimos momentos de Mary Alice antes do suicídio.

Porém, o episódio funciona como o evento isolado e comemorativo que é. Ele não tem relação nenhuma com as tramas da temporada, que são postas de lado e ficam estagnadas aqui. Não fosse o episódio tão brilhantemente executado, eu o consideraria pura enrolação. Mas ele foi bastante tocante e sem dúvida, um dos melhores momentos dessa temporada e uma ótima maneira de celebrar 100 episódios.

House: Painless (5×12)
Exibição: 19/1/2009
MVP: Lisa Edelstein, Martin Henderson e Jake Cherry

House retorna do hiato com um episódio que, apesar de correto em todos os sentidos, não me empolgou nenhum pouco. Eu achei o episódio essencialmente chato, nada se destacou como sendo ruim ou digno de grandes críticas, mas se eu não tivesse visto Painless, não faria a mínima diferença.

O paciente da semana é Jeff, um homem que, depois de três anos sofrendo de dor crônica e incurável, tenta se matar. É óbvio que Jeff está ali para ser comparado com House, que também sofre cada vez mais com sua perna e acaba quebrando um dos canos de casa e, em uma manobra de teimosia inacreditável, faz de tudo para o seguro arcar com o prejuízo, só porque ele achava que estava certo.

Ao mesmo tempo House e Jeff são completamente diferentes: Jeff diz a House que ele tem sorte por ser sozinho, porque não precisa esconder a dor que sente.

A verdade é oposta a essa afirmação: House esconde seu sofrimento com suas grosserias e sarcasmo, enquanto Jeff é completamente aberto sobre o tamanho de sua dor e sua falta de vontade de viver por causa dela, a ponto de convencer seu filho a ajudá-lo a se matar.

Além de House, o paciente também acaba se relacionando a Thirteen, é claro, e, surpreendentemente, a Taub, que aparentemente já tentou o suicídio e se considera muito idiota por isso. Enquanto isso, Cuddy lida com os obstáculos de ser uma mãe com uma trabalho em período integral e acaba pedindo para Cameron assumir seu lugar. Sinto saudades da Cameron, vamos ver se ela aceita.

Texto publicado previamente no site TeleSéries.

1. Grey’s Anatomy – 5×13 – Stairway to Heaven (MVP: Chandra Wilson, Ellen Pompeo, Eric Stoltz)
2. Criminal Minds – 4×13 – Bloodline (MVP: Paget Brewster, Adair Tishler, Thomas Gibson)
3. CSI NY – 5×13 – Rush to Judgment (MVP: Eddie Cahill, Emmanuelle Vaugier, Melina Kanakaredes)
4. Damages – 2×03 – I Knew Your Pig (MVP: Glenn Close, William Hurt)
5. The New Adventures of Old Christine – 4×14 – What Happens in Vegas Is Disgusting in Vegas (MVP: Julia Louis-Dreyfus, Emily Rutherfurd)
6. Lost – 5×01 e 5×02 – Because You Left e The Lie (MVP: Jorge Gracia, Michael Emerson)
7. Gossip Girl – 4×16 – You’ve Got Yale (MVP: Kelly Rutherford)
8. Desperate Housewives – 5×13 – The Best Thing That Ever Could Have (MVP: Eva Longoria, Brenda Strong, Beau Bridges)
9. Two and a Half Men – 6×13 – I Think You Offended Don (MVP: Jon Cryer)
10. House – 5×12 – Painless (MVP: Lisa Edelstein, Martin Henderson, Jake Cherry)


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