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“Blood for blood, is the Tauron way”. A frase acima pertence ao Piloto de Caprica, que eu estava reassistindo agora para relembrar os acontecimentos, e mais importante, as relações. Há muitos detalhes que passaram despercebidos quando eu assisti o piloto de mais de uma hora há meses atrás, e depois desse ‘Reins of Waterfall’, eu senti a necessidade de voltar e procurar por esses detalhes.

A sentença proferida por Sam Adama, o braço mafioso da família de imigrantes, ganha no último minuto desse terceiro episódio nova importância. Lá atrás, Joseph Adama queria exercer seu luto de sua própria maneira. Ele estava ocupado tentando manter as coisas em seus lugares, e se conectando com o bilionário Daniel Graystone através de seus sofrimentos mútuos e um maço de cigarros dividido em um café humilde (e posteriormente um jogo de Piramid e um roubo de tecnologia avançada).

Joseph havia se afastado da idéia de vingança através daquilo que Daniel lhe ofereceu, um ombro amigo que entendia sua situação e esperança. Mas com a revelação de Amanda no episódio passado e a confirmação de que Tamara se foi (porém não da maneira que ele e Daniel imaginam), Joseph se virou para a tradição e para o seu ódio, e em uma cena de total simplicidade, porém sinistra, deu ao seu irmão a benção que este esperava para procurar vingança e exigiu o assassinato de Amanda Graystone, para ‘equilibrar’ as coisas.

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Eu não sei como os roteiristas vão criar uma saída para esse subplot, que não seja um dos irmãos dando para trás, mas eu não acho que iremos nos despedir da ótima Paula Malcomson tão cedo. E eu realmente espero por isso, porque eu aprecio imensamente o fato de Amanda ser a única personagem principal da série que reage a todo esse drama externando toda a sua perturbação por todos os poros, em uma histeria aberta e honesta. E por que ela não deveria ficar histérica, com a descoberta ainda tão recente (e equivocada) de que sua filha se suicidou e assassinou centenas de pessoas ao mesmo tempo?

Eu gosto da maneira como Amanda foi construída e gosto ainda mais da maneira como sua relação com Daniel foi construída, com os dois se unindo frente à tragédia, ao invés de se afastando (como eu achei que ocorreria no piloto). A cena dos dois foi uma das melhores de ‘Reins of Waterfall’, aliás. Uma mistura de discussão extremamente dramática sobre as ações de Amanda, com uma pitada de ternura entre um casal que parece ‘concordar em discordar’ e simplesmente seguir em frente e muito apelo cômico com as várias piadas inseridas no diálogo, culminando Amanda e Daniel decidindo transar ali mesmo e Zoe, presa no robô, tentando evitar assistir.

Voltamos aos Adama, é engraçado que de todos os personagens da família, o único de quem não consigo gostar seja justamente o que se transformará no protagonista de BSG, Willie, mesmo que eu tenha visto quase nada de BSG. Talvez seja porque ele é criança e ainda não tem uma personalidade formada, e o show queira mostrar essa formação. Talvez seja porque o ator é fraco e inexpressivo. Ou porque eu já tenho a minha cota de rebeldia (mesmo que seja com causa) com a mala da Zoe.

Porém Joseph é um personagem maravilhoso e complexo, seja na construção da sua relação com os Graystones, seja no seu trabalho. E Sam, à medida que ganha destaque, se torna mais e mais interessante. Eu gostei da casualidade com que sua homossexualidade é tratada, mas o que me chama a atenção mesmo é como ele pode ser esse sujeito afetuoso, fazendo piada no jantar de família em um segundo, e um homem totalmente impiedoso disposto a assassinato no próximo. Ele simplesmente é aquele tipo de gangster que nós amamos, um tipo Scorsese.

E ainda temos Tamara, que pode até não ser ‘real’, mas é impossível não percebê-la como humana e não sentir um pequeno horror do fato dela ter ficado trancada naquele quarto escuro por semanas. Contudo, por mais que ela pareça ter o caráter forte dos Adama, eu também não consigo não sentir certa ansiedade de imaginar o avatar sozinho no V club, sem saber que é apenas um avatar e tentando encontrar um caminho para casa.

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Ainda Tamara seja uma personagem muito mais interessante que Zoe, entre os adolescentes eu fico com Lacy. É quase impossível não sentir pena da garota. Como vimos, ela não é nada como Zoe. Não é rica como Zoe, não tem pais que liguem para ela (mesmo que os Graystones e Zoe nunca tenham conseguido realmente se entender), não é tão inteligente e não tem a confiança. Não é difícil entender como Zoe a manipulou desde sempre e como o avatar/robô seguirá pelo mesmo caminho, se a cena no V Club indica alguma coisa, e o isolamento de Lacy unido à perseguição perpetuada pela irmã Clarice não ajudam.

E irmã Clarice, que apesar de ser a única outra personagem junto com Willie que me irrita em todos os níveis, ainda é uma das mais importantes e muitas de suas cenas nos introduziram a pedaços importantes da mitologia de Caprica, mas nenhum tão importante quanto sua confissão/reunião secreta via holoband.

Clarice casualmente deixa escapar o termo Apotheosis, que para quem gosta do Google quanto eu, é algo revelador. O termo tem várias significações, mas talvez a que mais importe aqui é aquela que se relaciona diretamente com nossa religião monoteísta e que basicamente sugere a possibilidade de um mortal obter status divino (Jesus Cristo). O que cria a questão, quem seria Cristo na metáfora? Zoe ou o Avatar? Eu estou pensando no Avatar, afinal, Zoe seria a criadora, não? Mas se ela criou vida, isso não a elevaria a um status de divindade? Acho que teremos de esperar e ver.

Post publicado previamente no meu novo blog AbouTv Series. Lá vocês encontrarão mais review de Caprica e diversas outras séries.

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Então, funcionou. E ao mesmo tempo, não funcionou. Mas para ser honesta (e talvez eu vá soar um pouco amarga e difícil) quando o mundo já complexo de LOST se partiu em dois mundos complexos, eu não consegui me sentir feliz pelos Losties. Primeiro, porque a imagem da Ilha debaixo da água só conseguiu me fazer pensar em todas as pessoas que devem ter morrido para que os Losties conseguissem voltar as suas vidas. E também porque não consigo deixar de concordar com Locke-falso que a principal falha dos Losties é justamente não querer enxergar o quão patéticas suas vidas eram. E as chances que eles receberam na Ilha foram pulverizadas.

Jacob pode chamar isso de progresso, mas eu estou com o homem de preto nessa. É destruição, e faz com que eu não me importe em ver os nossos heróis conseguirem chegar a salvo em casa.

Por outro lado, isso não estranhamente não afetou o meu aproveitamento do episódio especial duplo. Eu me senti emocionada com os momentos mais dramáticos e positivamente surpresa com as novas revelações e confirmações, foi ótimo ver a mitologia continuar a se desenvolver a passos largos e a cortina se abrir para essa nova parte instigante de universo. E por mais que eu estivesse (talvez injustamente) irritada em ver os Losties indo para casa, quando essa casa era para quase todos eles uma realidade miserável, eu me senti nostálgica pela primeira temporada.

Foi impossível não sentir aquela pontinha de cumplicidade com o show ao ir descobrindo as diferenças entre o vôo 815 da realidade alternativa e o verdadeiro, que vimos há seis anos atrás, em uma espécie de jogo dos sete erros bizarro. Locke ainda era aquele homem sereno, apesar de tudo, e sábio. Ainda era aquele homem que apesar da cadeira de rodas e angústia quieta que exalava, nos trazia uma imensa sensação de paz. E foi interessante, para dizer o mínimo, vê-lo criando uma conexão totalmente diferente com Jack.

E Jack, que virou um dos personagens que mais detesto, em uma época que seu complexo de herói ainda não me irritava, sendo que essa época é agora. Foi estranho. Em um minuto eu estava bem com o Jack e a Kate também, no avião e no aeroporto fazendo o tipo de coisa que eles fazem, Jack acreditando que pode salvar o mundo, Kate tentando fugir, e no outro estávamos de volta na timeline normal, e eu não sentia mais essa animosidade. Talvez tudo aquilo que eu tenha aprendido a odiar nos dois seja o peso da responsabilidade deles dentro da série.

Por que eles não deveriam se focar nas coisas pequenas e em si mesmos na timeline alternativa? É a vida deles! Mas quando eles estão na Ilha, o papel deles muda. Como Swayer coloca para Jack “Você fez isso”. Sim, o Jack fez. Mas não fez sozinho. Todos eles o ajudaram, em maior e menor grau, a causar aquela explosão, e tudo o que derivou dela, bom ou ruim.

O mesmo pode ser aplicado a Ben, que do outro lado da Ilha, passava por uma experiência totalmente diferente, porém similar demais. E eu acho que não só Ben não faz a mínima idéia do tamanho da besteira que fez ao matar Jacob, nós também não. Posta toda a comoção de lado, não consigo imaginar o que a morte de Jacob representará em termos práticos, além, é claro, da dominação do Monstro sobre a Ilha. Mas ele quer ir para casa, e eu fiquei com a impressão de que essa ‘casa’ será o motivo de uma Guerra e tanto.

Por enquanto, é apenas imaginável que seja o Templo, que finalmente vimos, mas estou achando essa resposta simples demais. E o Templo, junto com seus moradores, representa uma grande resposta que há muito esperávamos e foi interessante, mas pela primeira vez não fiquei com aquela sensação de arrepio, de assombro, ao vislumbrar um dos grandes segredos de Lost. Muito mais impactante foi a simples cena em que o falso Locke se revela o Monstro, mata os guarda-costas de Jacob e com isso também descobrimos para que afinal servem as cinzas. A atuação de Terry O’Quinn estava magnífica durante todo o episódio, mas nessa cena estava ainda mais. Ele conseguiu fazer toda a maldade do homem de preto de repente se revelar, em apenas uma expressão facial.

Então agora que temos novo contexto e novos jogadores, e dois tabuleiros diferentes, estamos um pouco mais perdidos, mas eu gostei da cara desse novo jogo e acho que vem sim uma temporada histórica por aí. Darlton tire todas as nossas as dúvidas, ou não.

O que mais aconteceu:

  • Decidi não comentar direto na review, porque era provável que eu ficasse a review inteira falando disso. Mas achei a morte final da Juliet ainda mais cruel do que o vimos na finale. Sim, era perverso ela morrer sozinha, no fundo de um buraco, tentando explodir uma bomba em um plano bizarro só para salvar Sawyer. Mas ela morrer nos braços dele daquela maneira foi de partir o coração. Por um segundo achei que a coisa muito importante que ela tinha a dizer fosse sobre uma possível gravidez (lembrei dela com a mão sobre a barriga) e fiquei feliz que não foi, porque seria horrível demais, não? Elizabeth Mitchell esteve ótima nessa sua breve aparição, mas foi o Josh Holloway que fez o trabalho emocional pesado. E que trabalho! O desespero e o ódio de Sawyer eram palpáveis.
  • Desmond estava no avião. Como e por que, eu não sei. Mas obviamente se a Ilha afundou, Des nunca foi parar lá. Devemos assumir que ele e Penny estão juntos e felizes no mundo alternativo também? Eu espero que sim. Acho que Desmond deve voltar a ser muito importante agora que Faraday está morto. Ele é quem pode acabar conectando as duas timelines (e eu realmente acho que elas vão se tocar em algum ponto). Uma possível Constante?
  • O Monstro/Locke/Homem de Preto menciona que a última vez que viu Richard, ele estava usando correntes. Acho que é a evidência mais sólida que tivemos até então de que Richard estava sim no Black Rock.
  • Eu sempre adoro a trilha de Lost, mas teve momentos aqui em que ela até se tornou protagonista. A cena em que todos saem do avião por exemplo, tem uma música extremamente marcante. Palmas novamente para Michael Giacchino, gênio.

Post publicado previamente no meu novo blog AbouTv Series. Lá vocês encontrarão mais review de LOST e diversas outras séries.

Estou afastada daqui há algum tempo, e os motivos são vários, mas principalmente a falta de tempo. Contudo, minha paixão pelas séries jamais me permitiria ficar afastada para sempre da atividade de blogueira, e por isso tenho planejado um novo blog para esse novo ano. Renovação é a chave para melhorar e como dizem os ativos de Dollhouse “I try to be my best”. Mas estou com saudades de escrever e com algum tempo em mãos (férias da faculdade) e resolvi fazer algumas aparições por aqui enquanto o novo projeto não sai. A primeira é para comentar a Minissérie da BBC “The Day of Triffids”.

É engraçado como há alguns anos eu não poderia ser descrita como uma fã de sci-fi de maneira alguma. Tirando Idependence Day e os novos Star Wars eu corria de praticamente tudo que tivesse cara de ficção científica, e na época é claro que eu ainda não tinha um conhecimento adequado do gênero para entende-lo como algo que pudesse ir além de monstrinhos do espaço. Lost e Terminator: The Sarah Connor Chronicles me apresentaram para todo um novo Universo dentro da TV, e eu gostei. Eu gostei muito. A maneira como algumas obras de sci-fi conseguem apresentar questões complexas de maneira muito mais profunda e intrigante (e divertida) que muitos dramas, me atraiu mais e mais para o gênero.

O fato de eu ter sequer considerado a possibilidade de assistir The Day of the Triffids vem desse novo interesse, junto com um elenco estelar liderado por Joely Richardson (de quem senti tanta falta na temporada passada de Nip/Tuck que teria visto a minissérie só por causa dela, sem problemas), Dougray Scott (aka o carinha de MI2 cujo nome eu tenho que ficar checando no IMDB, porque não consigo lembrar) e o fantástico Eddie Izzard, e com os coajuvantes de luxo Vanessa Redgrave e Brian Cox. Apesar da minissérie ter apresentado uma série de problemas, eu gostei por algum motivo misterioso (ou não tão misterioso, porque meu apego imediato a coisas ruins é quase tão pungente quanto a minha necessidade maníaca de ficar abrindo parenteses nos textos), e acho que considerando o plot a coisa poderia ser bem mais ridícula.

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Afinal, só a BBC para fazer assistir uma minissérie sobre plantas gigantes carnívoras que conseguem se movimentar e se comunicar entre si, e não ser uma bomba. As plantinhas em questão, as Triffids do título, são naturais do Zaire e foram descobertas por um casal de botânicos, os Massen. Enquanto mamãe Massen era altruísta e queria entender as plantas, o que a levou a ser morta por uma delas, Dennis Massen, personagem de Brian Cox, descobriu que elas produziam um óleo capaz de substituir os combustíveis fósseis e voltou para a civilização para nos ensinar como explorar esse novo milagre, que além de acabar com a nossa dependência do petróleo, acabou também com o Aquecimento Global.

Atualização interessante do livro, onde na verdade as Triffids eram uma modificação genética feita pelos Soviéticos. Por mais que na época essa abordagem fosse interessante, hoje em dia seria cansativa, mesmo se eles fizessem a também já batida troca de comunistas por terroristas. Aliás, Patrick Harbinson merece os parabéns por não cair nessa armadilha e mesmo que a questão ambiental não seja uma roupagem exatamente muito criativa, tornou a storyline relevante. E não conseguir esse feito era o maior risco de fracasso sobre a cabeça dele.

Tirando a maneira idiota que os heróis usam para escapar das plantas no final (na verdade, se você refletir, não é tão idiota, mas no vídeo parece estúpido, e o flashback não ajuda) e o fato de que nunca fica esclarido o que de fato é preciso para se matar uma Triffid, a mitologia ao redor das plantas é interessante e é a parte mais sólida do roteiro. Ou melhor, a única parte sólida do roteiro.

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O maior problema da série, na minha opinião, é informação demais para tempo de menos. Junto com a fuga das Triffids e o ataque delas a humanidade, ocorre um fenômeno solar que deixa a maioria da população cega. A trama a la Ensaio da Cegueira (com o porém de que Triffids é anterior ao livro de Saramago, e portanto não é a cópia, mas a possível inspiração) é interessante, mas com tudo mais que acontece, todos os temas sobre a natureza humana que poderiam ser explorados não são nem arranhados. E com isso entramos no segundo problema maior da produção: os protagonistas.

Fiquei extremamente decepcionada com Joely na primeira parte da Minissérie, porque na segunda ela até parece relaxar e ficar mais à vontade em cena. Mas não posso culpa-la somente porque Jo, a radialista vivida por ela, é uma tela branca do pior tipo. Com um roteiro focado inteiramente na situação e na ação, Jo não tem desenvolvimento absolutamente nenhum e nós nunca descobrimos quem ela é como pessoa. Nenhuma característica, nenhum traço marcante de personalidade, nada.

Joely consegue entregar muito bem a intensidade esperada dela nos momentos mais dramáticos da segunda parte, mas na primeira parte ela falha vergonhosamente aqui e ali. O problema maior dela na verdade é o mesmo de Dougray Scott, diálogos ruins que eles não conseguem fazer soar convincentes ou naturais.

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Assim, temos vinte e cinco minutos de intensidade absoluta e cenas impressionantes, em especial a da tempestade solar. Dougray é ótimo retratando o momento desesperador de seu personagem com a possível cegueira, Joely segura muito bem a sequência tensa em que Jo encontra cegos que tentam tirar vantagem dela e Eddie Izzard entra muito bem em cena. Mas então entramos em uma longa jornada de caminhadas por Londres pós-apocalipse, cenas não tão interessantes, conversas sofríveis e a minissérie não se recupera até o próximo grande ataque das Triffids: o ataque a milícia de Jason Priestley no supermercado.

Não se enganem, contudo. Priestley não é importante, e qualquer discussão moral que pudesse ter sido levantada pela tática de sequestrar pessoas com visão e algemá-las a pessoas cegas para que elas cuidassem de seus companheiros incapazes é jogada pela janela em prol do personagem de Izzard, um tirano wannabe, que acaba sendo um personagem fantástico devido a composição perfeita de Izzard. Porque se não fosse por ele, duvido muito que o tema já batido de obsessão por uma mulher e obsessão pelo poder fossem ser muito impressionante ou assustador.

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Voltando a Bill e Jo, contando com a falta total de química entre Scott e Joely na primeira parte, além da aparente indecisão do roteiro sobre o status romântico do casal, a segunda parte se torna muito estranha quando eles repentinamente começam a agir como se tivessem sido amantes a vida toda. Estranho, mas aceitável. Quer dizer, aceitável até certo ponto. Porque eu engoli quando a Jo desaba em choro ao ouvir que Bill morreu, porque o cara salvou a vida dela umas cinco vezes no intervalo de pouco mais de uma hora, e já tinha ficado claro que ela não pretendia ir nem na esquina se ele não fosse junto. Eu engoli o adendo feito através da cafona e desnecessária narração em off sobre a preocupação repentina de Bill com Jo ter ficado nas mãos de Torrence quando ele foi mandado para sua execução, ou com o fato de ela estar na cidade cada dia mais infestada de Triffids. Até mesmo engoli o reencontro entre lágrimas e gargalhadas do dois, porque foi praticamente a única parte da minissérie em que Joely e Scott conseguiram demonstrar alguma emoção e porque eles não ficariam feliz em se reencontrar, né? Mas não engoli aquela dancinha sem sentido no quarto e o beijo pareceu fora do lugar. E não engoli que ele conhece duas meninas órfãs e as adota, e cinco minutos depois ele e Jo, mais Susan e Imogen, já estão vivendo como uma família feliz. Ficou forçado. Ficou esquisito. Jo nem conhece as garotas direito, e na cena seguinte já está contente em ser chamada de ‘mamãe’ por uma delas.

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Tudo isso retorna para o problema do tempo. Tudo isso poderia ser resolvido se houvesse mais tempo. Jo e Bill poderiam ganhar personalidade, e Joely e Scott não ficariam se saber como se comportar em cena (porque acima de tudo, acho que eles pareciam perdidos); poderíamos explorar melhor as questões morais daqueles acontecimentos; o plano do Major de Jason Priestley poderia ser mostrado melhor e discutido melhor e os personagens de Redgrave e Cox, que eram ótimos (e Redgrave teve as melhores falas de toda a minissérie) poderiam aparecer mais um pouco, nos agraciando com o talento fantástico desses dois. The Day of the Triffids se sairia muito melhor se fosse uma série, e considerando que as séries da BBC são pequenas, geralmente oito episódios por temporada, eu acho que ela não sofreria tanto com falta de material que definharia. Afinal, tinha muito material ali!

Ouvi dizer que o material original é muito bom, então penso que não pode ser o livro “The Day of the Triffids” que eu encontrei na Internet, porque se for, Harbinson transformou água em vinho. Porque o negócio era de chorar, de tão ruim. E The Day of the Triffids pode não ser a melhor obra se sci-fi do ano, longe disso, mas também não é ruim. Tem seus problemas, mas tem seus momentos. Vale uma conferida, se você estiver com três horas sobrando.

Pelos comentários que eu li desde o começo dessa temporada de The Amazing Race, muita gente estava torcendo pela dupla Mel e Mike. Eu fui provavelmente uma das poucas que não estava. Eu gostava dos dois, e só o fato de Mike ser o roteirista do ótimo Escola do Rock seria o suficiente para garantir minha simpatia se ele fosse um chato, o quê não era de jeito algum o caso. Porém, desde o começo eu simpatizei mais com Victor e Tammy, Jaime e Cara e Brad e Victoria.
Brad e Victoria, assim como Mel e Mike, tiveram um tremendo azar em uma das etapas e acabaram sendo eliminados de maneira prematura. Victor e Tammy tiveram os problemas de seu relacionamento, e a arrogância de Victor quase me fez desistir dos dois. Mas ao perceber que Victor estava genuinamente decidido a mudar seu comportamento em relação a Tammy, eu resolvi continuar a torcer pelos irmãos. Já Jaime e Cara foram vagarosamente caindo no meu conceito. Eu já torci por Dustin e Kandance e Rob e Amber, então obviamente eu não tenho problemas com times determinados a causar conflitos. Contudo, a determinação de Jaime em gritar e se aborrecer com taxistas era simplesmente odiosa, principalmente porquê era totalmente contra-produtiva. Quanto mais ela berrava com eles, menos eles ficavam propensos a ajudá-las. E para aqueles que acreditam em Karma, o fato de que a dupla continuou a pegar taxistas que se perdiam em etapa atrás de etapa diz tudo.
Então, claramente eu mergulhei de cabeça nessa finale torcendo pelo casal de irmãos e obviamente eu fiquei muito feliz no fim. Durante a primeira prova, em que os times tinham que carregar um porco através da praia, Victor poderia facilmente ter emergido em seu comportamento anterior devido a pressão, mas ele foi bem paciente e apoiou Tammy ao mesmo tempo que a pressionou para que ela conseguisse seguir em frente. Já Jaime perdeu novamente a cabeça e se descontrolou com Cara, acabando com o pouco de simpatia que eu tinha por ela e me fazendo torcer para que a dupla perdesse. Margie e Luke foram extremamente bem e tomaram a dianteira.
A prova decisiva mesmo foi a última, uma prova típica da corrida onde é preciso realizar uma retrospectiva de tudo o que aconteceu. Luke estava indo muito bem, mas simplesmente não conseguiu localizar a última prancha. Eu não estava torcendo pelos dois, mas foi realmente angustiante ver Luke empacar daquela maneira e não conseguir resolver o problema até que finalmente Jaime tenha lhe fornecido a resposta, fazendo assim com que a dupla ficasse em terceiro. Todavia, foi muito bom ver Victor chegar e daquela maneira incrível e metódica, ultrapassando Luke e não dando nenhuma chance para Jaime. Foi bastante excitante, e durante a prova eu mal conseguia conter a ansiedade.
Acho que nenhum outro reality consegue me deixar tão nervosa na finale quanto The Amazing Race. Mesmo que dessa vez eles não tenham feito aquela montagem onde dois times competem em uma corrida de táxis para ver quem chega primeiro (é sempre quem saiu primeiro, então não sei porquê eles insistem), foi tudo de tirar o fôlego e a temporada inteira está de parabéns. Eles escolheram bons times, organizaram boas provas e etapas (algumas melhores, outras piores, mas é sempre assim), e ao final dessa jornada eu fiquei bem satisfeita. E mais que pronta para mais uma. Que venha as próximas 14 temporadas de The Amazing Race.

Os go-see são uma parte clássica da competição. Sempre acontecem na segunda fase do programa, já em outro país (o que eu não sei se é a estratégia mais esperta, já que é pouco provável que as meninas sejam de fato chamadas para o casting da próxima coleção dos designers) e é não apenas o melhor desafio de todo o programa, mas o que faz mais sentido. Eu sempre acho que o programa passa tempo demais tentando ensinar as meninas a ser modelos, e tempo de menos ensinando-as a se inserir de maneira eficiente no mercado, a conseguir trabalhos.
No go-see brasileiro as meninas se apresentaram perante alguns dos mais conceituados designers do Brasil atualmente: Oskar Metsavaht da Osklen, Chris Barros da Chris Barros, Clo Orozco da Huis Clos, Adriana Bozon da Ellus e Adriana Degreas da Adriana Degreas. Foi tudo de muito bom gosto e apresentou a moda brasileira de uma maneira bem profissional e inteligente, algo que havia faltado no episódio passado. A Chris Barros, que também foi jurada, mostrou-se especialmente carismática, muito mais que Fernanda Motta e foi uma escolha muito mais agradável para jurada convidada.
Teyona ganhou o desafio, pois conseguiu ser aprovada em todos os go-sees que realizou. Realmente a Teyona é ótima modelo, e a essa altura acho que ela é a mais forte candidata a vitória, porém apesar de ela ter se saído muito bem nos testes eu achei que ela pecou um pouco pela burrice com a atitude de sair de um lugar toda vez que havia uma menina lá. Com o trânsito caótico que elas pegaram, acho que ela gastaria menos tempo esperando. Além disso, correu o risco de um dos desginers vê-la entrando e saindo, e isso poderia pegar mal. No photoshoot ela também se saiu muito bem e foi escolhida como a melhor foto, algo do qual eu discordei.
Na minha opinião, a Allison merecia ser escolhida de novo. Eu nunca a vi tão bem em uma sessão, nem mesmo na anterior. É incrível como ela parece outra modelo desde que chegou a São Paulo. O problema é que o andar dela continua péssimo, e mesmo que consiga chegar a final assim, não vejo como ela poderia ganhar com a prova final sendo justamente o desfile. A cara do Oskar quando ela desfilou para ele foi impagável.
A Aminat também se saiu muito bem, como era de se esperar, já que de fato ela é a melhor modelo de passarela do programa. Aliás, ela é a única com chance real para modelo de passarela quando isso acabar, na minha opinião. Mas ela continua fotografando pessimamente. É uma pena, porquê eu sempre achei ela a modelo que tinha mais potencial na competição.
A Celia foi desclassificada do desafio e se saiu ainda pior na sessão. Eu achei a desclassificação dela um pouco exagerada, porquê apesar do tempo ser sempre o grande fator nesse desafio, ela só estava um minuto atrasada. Isso sequer é suficiente para a pessoa esperando começar a olhar o relógio. Especialmente porquê ela já estava no prédio. Se eu fosse ela dizia que o relógio dela estava 2 minutos atrasado.
Por último, Fo, a eliminada da semana. Ela realmente mereceu sair. Eu gostava tanto da Fo no começo, mas ela se tornou uma chata invejosa e reclamona. E foi um desastre em ambas as tarefas. Sua foto era horrorosa, e ela era baixa demais para conseguir aprovação nos go-see, o quê obviamente significa que ela não teve carisma e força o suficiente para fazer os designers gostaram dela o suficiente para ignorarem o fato de ela ser mais baixa que o normal. Eliminação justa.

Eu realmente preciso parar de assistir promos. Ou eles me deixam com altas expectativas, e eu acabo me decepcionando com o episódio, ou eles me deixam esperando o pior, e eu fico uma semana me torturando por um episódio que acaba por não ser nem de longe tão ruim quanto eu antecipava. Esse foi o caso Rose’s Turn.  Essa temporada teve tantos altos e baixos (alguns momentos simplesmente fantásticos e outros que me faziam querer bater no Marc Cherry de tão decepcionantes) que eu agora vivo constantemente desconfiada, só esperando pelo momento em que os roteiristas estragarão tudo.
Mas Rose’s Turn foi um episódio muito bom. Tirando a ceninha melosa entre Mike e Susan com a musiquinha mais melosa ainda no fundo, eu adorei cada momento. Até mesmo a maneira como Dave virou sua sede de vingança para cima de Susan foi bastante orgânica. Aliás, esse foi um dos poucos episódio que deu destaque a Susan e a todas as suas trapalhadas e conseguiu não me irritar. E acho que o segredo é a dose. O problema da Susan não é sua personalidade, mas o quanto nós temos que engolir dela. Sim, o roteirista conseguiu incluir mais duas piadas (ou foram três) sobre como a Susan é incapaz de cozinhar (uma gag explorada desde o piloto!). Mas o resto até que conseguiu não saturar ainda mais imagem da personagem, e me divertiu.
O episódio também teve uma boa dose de Katherine e todo mundo sabe que isso sempre me deixa muito feliz. Dana Delany fez um trabalho fantástico na cena na cama com Mike, o que também é sempre louvável, principalmente quando o texto não é exatamente excepcional. Pena que sua declaração de amor parece ter saído pela culatra. Será que essa cena ficará marcada como o inicio do fim para os dois e para Delany (o quê mais ela vai fazer na série?), com Mike voltando para Susan em breve? Como eu já comentei no Twitter, prefiro que Katherine acabe morrendo pelas mãos de Dave mesmo a ver a Dana presa a série sem ter muita utilidade e chances de mostrar seu talento. Acharia super legal se ela morresse para salvar o MJ (o novo alvo do Dave), pelo menos seria uma morte digna, ao contrário da de Edie (a despedida foi muito digna, mas ela morreu por nada).
No núcleo dos Solis e dos Scavo, nós continuamos com uma virada que está se provando muito produtiva criativamente. Eu nunca teria imaginado que os pares Carlos/Lynette e Tom/Gaby poderiam me agradar. Mas eu gostei do que a presença sempre sincera da Gaby trouxe a velha trama das inseguranças de Tom, porquê Carlos, Orson e Mike jamais teriam a coragem de dizer a ele o que Gabrielle disse, de ficar contra ele e tentar dissuadi-lo de ficar amigo de Patty antes que ele fizesse algo que não pudesse consertar e magoasse Lynette.
Já o Carlos ver a Lynette nua provavelmente foi só para dar combustível para os ciúmes do Tom, mas ver que surgiu uma espécie de afeto entre eles foi tão adorável. Ricardo Chavira e Felicity Huffman tem uma química estranha, mas tem química. Eu acho que eles jamais funcionariam como casal, porquê a tensão sexual é inexistente. Mas eles conseguem ser quase tão bom juntos quanto Eva Longoria e Doug Savant.
E por fim, Bree e Orson continuam na mesma chatice. Agora ela parece ter se cansado e está rumando em direção a um divórcio. Mas o Orson é instável, e obviamente não será tão fácil para ela sair dessa situação. Só fiquei com muita raiva que ela tenha descoberto que a vizinha estaria sendo mandada para uma casa de repouso, e manteve o segredo do marido sociopata e cleptomaníaco. Para protegê-lo e para se proteger, ela fez da pobre Rose uma vítima, sendo mais cúmplice que nunca dele. Eu acho que ao invés de se divorciar, ela deveria pensar nas coisas que ele tem feito, nas coisas que ele fez no passado (atropelar Mike), tomar noção de que ele foi parcialmente responsável pela morte de Edie e que também pode representar perigo para suas demais amigas e até ela mesma, e deveria denunciá-lo a policia o mais rápido possível. Do contrário, ela será tão culpada pelos crimes de Orson quanto ele próprio.

Quando acontece tanta coisa legal em um episódio que eu mal sei como comentar tudo em tão poucas linhas, é sinal de que os quarenta minutos foram de excelente qualidade. E nas minhas reviews de Grey’s ultimamente, eu sempre me sinto deixando algo interessante de lado, mesmo quando escrevo horroes. E para mim isso ratifica a competência do roteiro.

Não estou dizendo que todas as storylines de Sweet Surrender foram igualmente brilhantes. Eu gostei de umas mais do que de outras. Mas eu senti que todos os personagens tiveram seu espaço (com a exceção de Yang) e todos os atores estiveram muito bem. Chandra Wilson teve a trama mais dramática e o melhor material para trabalhar, e foi o destaque. A trama de Callie poderia ter sido melhor desenvolvida, mas foi bem-vinda, principalmente por Sara Ramirez ter tido bom material também. Pena que Jessica Capshaw ficou dividida entre as duas estórias e não rendeu. T.R. Knight recebeu alguma coisa para fazer, finalmente, e eu acabei de reparar que só sinto muita falta do George quando ele aparece. A progressão da doença da Izzie me deu pena, mas ao mesmo tempo foi uma trama leve por causa do planejamento do casamento. E a resolução do conflito entre Derek e Sloan foi a cereja no topo. Adoro esses dois!

MVP: Chandra Wilson, Sara Ramirez, Katherine Heigl

Texto publicado originalmente no site TeleSeries.

Quando séries ou realities shows vem para o Brasil, é sempre complicado. Por mais que eu goste do show, dificilmente eu aprovo a abordagem. Eles geralmente tentam fazer um pacote com todos os atributos mais conhecidos de nosso país, e exageram totalmente nos estereótipos. E America’s Next Top Model não foi exceção. Favela, Carmen Miranda, capoeira e até Helô Pinheiro e a música “Garota de Ipanema” foram todos abordados de cara, e ainda teve a pobre menina de classe média alta americana procurando pelo Oceano da janela do hotel localizado no meio da cidade de São Paulo. É impossível não ficar incomodado, principalmente por causa da diversidade de life-styles que torna impossível para alguns de nós (eu por exemplo) se reconhecer dentro desses clichês.
Porém, também não dá para ser muito dura com eles. Na Espanha eles vestiram as meninas de toureiras e fotografaram em uma arena, na África elas tiveram que se vestir de animais, e na Tailândia, fotografaram com um elefante. E essas são só sessões de fotos que eu consegui lembrar de cabeça, de ciclos que assisti (eu não vi todos). O show sempre trabalha com estereótipos, provavelmente porquê se eles não o fizessem, não teria muito sentido em se deslocar para outros países. Não é que as cidades não teriam nada a oferecer, mas até mesmo por questões de experiência televisiva para os espectadores, não seria tão legal mostrar São Paulo como uma cidade cosmopolita, moderna e não tão distante do que Nova York é (é claro que são cidades diferentes, mas dependendo das atividades escolhidas, poderiam terminar por serem semelhantes demais). Eles precisam criar esse tipo de identidade única, precisam mostrar aquilo que só é preciso encontrar aqui e em nenhum outro espaço do globo, e por isso tivemos a capoeira, o samba (talvez o elemento mais desnecessário, competindo de perto com a banda no Jardim Botânico tocando Garota de Ipanema), as favelas, as cores fortes e a chatinha da Fernanda Motta.
Mas pelo menos a equipe do Jay veio toda junto. Eu não lembrava do Jay ter uma equipe fixa antigamente, mas é óbvio que ele está trabalhando com as mesmas pessoas, o quê para mim é ótimo porque eu realmente amo o maquiador da equipe. Ele é super engraçado e até que fez um trabalho bem decente explicando para as garotas quem era Carmem Miranda.
O photoshoot foi ruim, mas foi bom. Pelo menos a minha favorita Allison foi super bem nele, e acabou sendo escolhida como a melhor foto. A Celia, de quem eu também gosto muito apesar da besteira que ela fez há alguns episódios atrás, teve uma foto péssima, mas eu acho que eles escolheram muito mal. Ela não foi brilhante, mas não é possível que ela não tivesse uma foto melhorzinha. A Natalie acabou saindo, apesar da Aminat ter conseguido ser mais medíocre que ela.  Deveria ter aprendido, além do fato de que São Paulo não fica no litoral, que jogar a culpa de uma foto ruim no fotógrafo ou no Jay é ainda pior que falar mal da coleguinha, é carimbar o passaporte de volta para casa na hora. Quem será que ganha? Eu adoro assistir o programa, mas sempre acho o resultado final injusto (ainda não superei a CariDee ganhando da Melrose no ciclo 7), mas isso é irrelevante, porquê eu nunca vi uma vencedora (ou uma finalista tampouco) virar uma super modelo.

Um dos elementos que mais tem me agradado nessa segunda temporada de Gossip Girl é a integração das famílias Van der Bass e Humphrey. Ou talvez eu já deva começar a chamá-los de Van der Humphrey agora que Chuck é o único Bass que restou. Eu gostei muito da trama da festa no episódio passado (que eu não consegui comentar, mil desculpas) porquê deu exatamente essa dimensão de família disfuncional e ainda não totalmente unida, mas ainda assim, família. Lily e Rufus podem ter decidido não se unir debaixo do teto milionário da cobertura do Palace, mas a solidez do casal inevitavelmente aproxima suas proles cada vez mais. A única coisa que estava faltando era Chuck.
Desde que foi adotado por Lily em You’ve Got Yale, o fato parece ter sido completamente esquecido. Chuck de fato voltou para o loft dos Van der Bass, mas em meio a péssima trama com a Sociedade Secreta e seus problemas amorosos com Blair, nós nunca o vimos se reintegrar a família. Nós sabemos como o relacionamento dele com Serena e Eric é (apesar de que nós nunca mais vimos os dois fazendo coisas de irmãos também, e eu sinto falta disso), mas Chuck ganhou uma nova mãe e um quase padrasto que ele odeia, além dos novos “meio-irmãos” e nós não vimos os conflitos, as sessões de entrosamento, os momentos estranhos e desconfortáveis, nada. Então é claro que foi da storyline de Jenny e Chuck que eu mais gostei.
Foram momentos bem breves, uma trama bem pequenininha e quase insignificante no meio de todas as outras coisas acontecendo, mas foi algo que realmente me tocou. Chuck mudou muito. Apesar de ele ainda ser meio canalha (um traço de sua personalidade que eu espero que não desapareça totalmente), ele percorreu um longo caminho do cara que tentou estuprar Jenny no primeiro episódio da série e que abandonou Blair no heliporto para transar com Amelia, para o cara que salva Lily da mesma exata situação em que ele tenta agredir sexualmente Jenny, que aconselha Nate a dar uma segunda chance a Blair para que seu melhor amigo e a menina que ama possam ser felizes juntos e que reconhece seu erro e pede desculpas a Jenny pelo que fez.
Então, ele pode ser um elemento não tão desejável naquele lar que está sendo construído, mas eu realmente acho que ele merece a chance de ser parte dos Van der Humphreys, e de ser amado e querido ali como qualquer um do quarteto. Contudo, eu também não condeno Jenny por soltar seu veneninho (adoro a Jenny bitch). Ela estava com a razão e ela mereceu as desculpas que recebeu. Se isso deve ser o suficiente ou não, eu prefiro não julgar. Mas seria interessante ver esses dois se aproximando (não romanticamente, fraternalmente mesmo).
Enquanto isso, o resto da família encontrava-se, ou melhor desencontrava-se em uma série de tentativas de mentira e mal-entendidos, em um jantar na casa dos Waldorf-Rose. Eu sempre gosto tão mais de Dan e Serena quando eles não estão namorando (e arranjando motivos para brigar) ou separados (e arranjando motivos para voltar), mas simplesmente tentam ser amigos e se ajudar. Ainda que seja óbvio que de alguma maneira Dan vai acabar na faculdade perfeita, foi bom vê-lo tentando ganhar algum dinheiro para ajudar o pai, porquê ele é realmente o único adolescente com alguma noção de realidade na série (apesar dessa noção às vezes se tornar pura chatice).
E o próprio exemplo de adolescente sem noção estava bem ali, na forma de Serena. Eu não sei como é a vida real dos adolescentes do Upper East Side, mas na minha realidade, minha mãe nunca se limitaria a ficar furiosa se eu fugisse para a Espanha com uma amiga, não desse notícias e voltasse semanas depois. Eu não sei ao certo se ela me jogaria pela janela do último andar de um prédio ou se não falaria comigo nunca mais na vida, mas ela certamente não me tiraria do castigo horas depois, mesmo eu tendo sido aceita em uma boa faculdade. E eu talvez ficasse chateada, mas saberia que ela tem razão. Porque mesmo com todo aquele dinheiro, que adolescente simplesmente foge para outro continente por uma semana só porquê estava de saco cheio da vida e se safa?
E ainda por cima, Serena retornou casada. Sim, porquê eu não engulo nenhum pouco aquele papo do Gabriel que poderia ser um servente que os casou, principalmente porquê o fato dele continuar envolvido com Poppy é no mínimo suspeito. Eu tenho certeza que esses dois estão armando alguma para cima da Serena, e ela está caindo que nem um patinho.
No núcleo Blair e Nate, os dois brigam. De novo. E se reconciliam no final. De novo. De todas as idéias que os roteiristas podiam tirar dos livros, eles escolheram logo a mais chata de todas, a incapacidade de Blair e Nate de ficarem mais de cinco minutos sem brigarem. Eu gosto do casal, mas quando eles começam a discutir é simplesmente insuportável. Eles quase se tornam Serena/Dan. A trama toda foi dispensável, exceto pela atuação de Leighton Meester, ótima como sempre. Embora Ed Westick e Taylor Monsem tenham sido os destaques na minha opinião, é sempre um prazer ver Meester compor as nuances de Blair. E aparentemente, ambos ela e Nate ficarão em New York. Nate vai para Columbia e Blair com certeza deve ser aceita na NYU com a ajuda de Cyrus.
Assim, o cenário da terceira temporada já se configura melhor. Nate, Blair, Chuck (que fará dezoito anos e se tornará presidente da Bass Industries), Jenny e Eric devem ficar na cidade, provavelmente Vanessa também. Serena por enquanto parece estar de mudança para Brown e Dan para Yale, mas em se tratando de GG isso pode mudar e eles podem até mesmo acabar na mesma faculdade.

Ashes to Ashes é uma série cuja recepção eu nunca entendi. Obviamente a série não é perfeita, longe disso. Mas não é apenas que as pessoas não gostam da série, elas parecem se frustrar do fundo de seus corações com o quão distante ela é daquilo que elas esperavam. E obviamente aquilo que elas esperavam é sua predecessora, Life on Mars. Eu vi Life on Mars, gostei, achei tudo muito inteligente, mas nunca fui uma fã hardcore. Eu também não sou uma fã xiita de Ashes, mas às vezes até parece, porquê eu sou a única pessoa que conheço que fala bem.
Mars e Ashes obviamente são diferentes. Mas acho que a principal diferença, pelo menos que eu senti entre as duas experiências, era que Life on Mars se levava a sério. Era uma série bem densa, inteligente, para pessoas inteligentes que gostam de uma bom drama. Talvez os produtores de Ashes to Ashes até levem o show a sério, mas o tom é bem diferente. Apesar dos mistérios, a série é mais irreverente, mas escrachada, é praticamente uma comédia. E eu a vejo para rir.
E em matéria de risadas acho que a estréia dessa segunda temporada teve o efeito desejado. Algumas piadas não foram boas (a do esgoto, por exemplo), mas é só o Philip Glenister aparecer em cena que as falhas do roteiro se compensam. Até os momentos vergonha alheia de Alex foram engraçados, ainda que continuem constrangedores.
Os momentos dramáticos também foram bons. Eu fiquei realmente agradecida pelo sumiço do palhaço macabro, e o perseguidor de Alex é desde já uma figura muito mais interessante. O rapto e tortura da Alex foi uma cena bem eficiente, mesmo sendo óbvio que Gene a salvaria, principalmente pelo aparecimento dessa nova e enigmática figura. Ele parece ser do futuro e ao mesmo tempo, ele consegue passar despercebido o suficiente para deixar coisas para Alex na delegacia e em sua casa. Ao fim ele lhe pergunta ao telefone: “Você será minha parceira ou inimiga?” Se eu fosse a Alex escolheria a opção em que não ser amarrada e medicada pelo Dr. Crazy não vem de bônus.
O outro elemento que tornou a coisa tensa foi a atuação de Keeley Hawes. Ás vezes eu acho a Alex muito gritalhona para uma policial treinada do século 21, mas até que aqui a histeria dela funcionou com perfeição. Apesar de algumas coisa incomodarem, eu gosto da Hawes e acho que ela tem química fantástica com o Philip Glenister. Não dá para saber se eles continuarão investindo na tensão sexual mal-resolvida entre os dois, mas pelo menos nesse primeiro episódio não houveram mais insinuações desse tipo e o casal de protagonista parece ter se assentado no respeito e afeto mútuos. Por mim tanto faz, desde que os dois continuem a ter ótimos diálogos.
Então, resumindo, o saldo do retorno da série britânica foi bem positivo. Eu me diverti horrores, matei saudades do Glenister, da Hawes, dos figurinos estilosos, das músicas que eu nunca ouvi na vida, das referências que eu não entendo (meus pais tinham doze anos em 1982, pelo amor de Deus), do Chris e da Shaz (com direito a cena de strip tease do Marshall Lancaster que me causou mais vergonha alheia que a Alex falando com o cachorro), do Ray e do Luigi e seu restaurante onde todo mundo vai, todos os dias e a qualquer hora, e ainda passei a me interessar muito mais pela trama da Alex no presente agora que ela parece ter sido duplamente encontrada.
E sobre o futuro, eu queria fazer um pequeno adendo sobre a cena inicial no hospital. O noticiário diz que Alex está desaparecida desde as dez da manhã. O relógio na parede marca onze horas. Se fossem onze horas da manhã, uma hora me parece pouco para o desaparecimento de Alex já estar sendo comentado no jornal, especialmente porquê ninguém sabe com certeza que ela foi levada como refém pelo bandido do começo da primeira temporada (cujo nome eu esqueci completamente). Porém, se forem onze horas da noite, isso significa que ela ficou várias horas no cativeiro sangrando após levar uma bala na cabeça. Eu sei que o forte da série não é plausibilidade, mas de jeito nenhum que ela teria sobrevivido. Mesmo que o relógio seja um erro, uma janela de tempo de um desaparecimento grande o suficiente para ser matéria em um jornal de Tv, é certamente uma janela de tempo grande demais para alguém que levou um tiro à queima roupa na cabeça, não?

Esse episódio foi uma homenagem a Edie Britt. E que homenagem! Foi impossível não me sentir tocada por aquelas que possivelmente serão as últimas estórias que verei dessa que foi uma das melhores housewives, e a quem não se fez justiça em muitas ocasiões, já que a personagem fora tratada muitas vezes como uma coadjuvante, e não como a protagonista que deveria ser. E foi impossível não sentir ao seu final que apesar desse ter sido o melhor episódio da temporada e um dos melhores da série, ele me deu mais uma razão para não retornar a série na próxima temporada. Não apenas eu sentirei falta demais de Nicolette Sheridan, mas a desculpa do corte de gastos que Marc Cherry deu não me desceu. Afinal, estamos falando de Edie Britt! Eu gosto muito de Orson, da Katherine (um caso totalmente a parte, mas outro dia eu falo sobre isso) e dos gays, mas se Cherry precisava tanto enxugar o elenco, eles eram opções um pouco mais viáveis, até porquê Cherry não parece saber o quê fazer com os gays (eles nunca tiveram trama) e Orson se tornou um verdadeiro chato.
Voltando a Edie, Look Into Their Eyes… é um episódio que pega a fórmula do décimo terceiro episódio dessa temporada e a explora a perfeição. É um espécie de coletânea de momentos não vistos, mas que definem de maneira fantástica o quê Edie Britt foi. Sincera e sem medo da verdade, Edie era a moradora de Wisteria Lane que menos se iludia sobre a própria vida. Enquanto todas as outras tentavam forçar suas vidas a um molde de perfeição que cada uma tinha em sua cabeça, Edie simplesmente encarava a realidade e tirava a sua perfeição dela. Talvez ela não tenha sido sempre feliz, e seu último dia de vida certamente não foi dos melhores, com a descoberta de que seu marido era um homem perigoso que planejava o assassinato de um de seus vizinhos (acho que nunca ficou realmente claro para ela que David queria Katherine morta, e não Mike) e que por pouco não a estrangula. Contudo, sua atitude era sempre positiva e sua força ultrapassava a tela, emanando de uma maneira que tornava ambas a personagem e a atriz Nicollette Sheridan uma presença única.
Foi maravilhoso descobrir que Edie visitava Orson na prisão quando Bree se recusava a faze-lo, mesmo seu envolvimento com ele tendo causado seu banimento de Wisteria Lane. E ver Susan e Edie enquanto ainda eram melhores amigas foi recompensador para mim, que sempre defendi que a melhor pessoa para contracenar com Teri Hatcher nessa série era Sheridan. O roteirista do episódio Matt Berry (Smiles of a Summer Night, The Gun Song) foi muito sensível estabelecendo que Edie, apesar da fama que tinha, não era uma mulher que tinha a ambição de destruir o casamento de ninguém. Uma das coisas que eu mais gostava na Edie era exatamente seu senso de moral. Podia não coincidir com os das demais housewives e o de muita gente, mas ela o tinha e definitivamente não era sua intenção deliberada magoar suas amigas. E tem é claro a maneira emocionante como ela ajuda Lynette a lidar melhor com a questão de seu câncer e sua confissão doída sobre Travers. Com tudo isso, acho que o flashback de Gaby foi o mais fraco, porém não descartável. Além da diversão proporcionada, a conversa final da duas chegou a me dar um pequeno calafrio pela forma como Edie afirma que morreria jovem.
Por fim, temos a narração irreverente de Sheridan, que não apenas substituiu Brenda Strong muito bem, mas deu um sofro de ar fresco a coisa toda. Eu amo a Strong, mas acho que seria tão bom se Sheridan alternasse de vez em quando com ela o papel de contadora da estória. Talvez eu só esteja sendo melancólica, porquê como já disse, sentirei muita falta da loura. Como Susan diz no final, Edie e Sheridan eram “one of a kind” e sua ausência deixa desde já um vazio que não passará.


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